A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 28/05/2020

As organizações dos jovens e o movimento estudantil ganharam força com o processo de redemocratização do país, após o regime militar, quando entidades como a União Brasileira dos Estudantes e União Nacional dos Estudantes foram criminalizadas e perseguidas. Os jovens garantiram em 1988 o direito ao voto aos 16 anos. Contudo, hodiernamente, ainda há ataques contra a juventude e existem muitos desinteressados da prática política.

A juventude organizada politicamente, ao longo das últimas décadas, formou uma classe de reivindicação. Mesmo após o final do regime militar, quando, segundo dados oficiais, mais da metade dos mortos por este eram jovens de até 30 anos, essa classe é atacada. Exemplificando, havia o projeto de lei ‘‘Programa Escola Sem Partido’’, que proíbe o diálogo crítico dentro da sala de aula. Esse projeto impediria o avanço da democracia nas escolas, propaga a ideia de que há doutrinação nesse ambiente e que o jovem não tem que fazer política, que é tomar partido. É de interesse das classes dominantes que menos jovens pensem criticamente a realidade a fim de transformá-la, por isso a lei da mordaça. O ‘‘Escola Sem Partido’’ não foi aprovado, mas suas ideias estão presentes na sociedade.

Efetivamente, há hoje no Brasil milhares de jovens organizados em entidades estudantis, juventudes e partidos políticos. Todavia, existe demasiado desinteresse por parte de muitos no que se concerne a prática política. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, apenas 1.521 candidatos a cargos políticos em 2018 tinham entre 21 e 29 anos. Conclui-se, então, que não houve muita representatividade jovem nas eleições. Da mesma forma, 21% do total da população com 16 e 17 anos tirou o título eleitoral, no mesmo ano. Há um afastamento entre jovens e processos eleitorais. Não obstante, há muitas manifestações por parte desse grupo nas redes sociais, expõem suas opiniões em textos e debates virtuais, o que não transforma verdadeiramente a realidade.

Dessarte, para ampliar o diálogo entre professores e alunos nas escolas, cabe ao Ministério da Educação (MEC) implantar em âmbito nacional o projeto ‘‘Escola Livre’’, já apresentado por políticos. Os partidos políticos devem lançar mais candidaturas de jovens, estipular uma cotagem, para assim aumentar a representatividade destes na política. Para fortalecer os conhecimentos de política, o MEC deve acrescentar à Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio o tema ‘‘Ideias Políticas’’.