A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 23/05/2020
Aristóteles descreve que a política em seu sentido mais amplo se refere à vida comum e as decisões sobre todo esse ponto. Portanto, a participação política é uma necessidade humana de construção do espaço democrático, do direito em comum e prática de cidadania. Vale dizer que participação política não é somente o ato de ir para as urnas exercer o direito do voto, mas no exercício democrático de cidadania, pequenas ações como presença nas reuniões de bairros, participações de reuniões estudantis, fiscalizar autoridades públicas, exigir o cumprimento da lei das instituições públicas, constituem conjunto de práticas e direitos do cidadão no Estado democrático. Diante desse contexto, as decisões tomadas no presente refletem no futuro, com isso a participação política principalmente dos jovens se faz necessária. Na sociedade moderna o jovem tem mais liberdade, poder, direito e meios de se expressar politicamente que outrora.
Vale lembrar em 1984 nas “diretas já”, estado terminal do regime ditatorial, marco histórico da política no país, a população brasileira reuniu-se em praça públicas e ruas para reivindicar eleições direta ao cargo de presidente da república. Contou com a participação da grande maioria de jovens e foi organizada por partidos políticos, representantes da sociedade civil, artistas e intelectuais. Ainda no passado, no começo da década de 90, a má gestão e corrupção do governo daquela época forma o movimento estudantil denominado “caras-pintadas” que saíram à rua para o impeachment do então presidente da república Fernando Collor de Melo. Esses dois movimentos de grande dimensão tiveram participação de jovens e foi definitivo para a mudança necessária.
Contudo, atualmente as formas como os jovens se projetam no contexto social e organiza-se no cenário político é diversificado – desde protestos em ruas à rede social - devido ao avanço da tecnologia. A rede social foi a grande protagonista que transformou o paradigma que reivindicações precisam ser necessariamente corpo a corpo, na rua ou em local público. A disputa política das eleições presidenciais de 2018 foi definida digitalmente, ou seja, Facebook e Whatsapp, pois o presidente que ganhou a eleição nem aos debates compareceu.
Evidente que o engajamento do jovem na política ainda não é expressivo, porém, uma parcela considerável da juventude é mais presente e busca se engajar politicamente do que tempos remotos, mesmo que não seja de uma maneira “institucionalizada”, sob a forma de filiação a alguma entidade, esses jovens estão presentes nos espaços virtuais pressionando os agentes políticos.