A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 19/05/2020

No documentário de 2014, intitulado “Junho: O Mês Que Mudou o Brasil”, são retratadas as Jornadas de Junho: manifestações de 2013 que tinham como objetivo principal protestar contra o aumento do preço das passagens do transporte público nas principais capitais do país. Tal evento ocorreu com participação massiva da juventude. Porém, mobilizações do tipo são raras, e sua baixa frequência se deve não só à forma como a educação brasileira lida com questões sociais, mas também ao papel pacificador da internet no ativismo jovem contemporâneo.

Em primeiro prisma, deve-se destacar a questão da educação nessa problemática. Em seu livro “Vigiar e Punir”, o filósofo francês Michel Foucault aborda de que forma instituições sociais, como a escola, cada vez mais se moldam para o controle de seus membros, com o fito de tornar seus corpos dóceis e manipuláveis. Nesse sentido, pode-se inferir que as escolas não preparam os alunos para possuírem senso crítico e não estimulam seu lado inovador e transformador. Prova disso é a desvalorização sofrida por disciplinas como História, Filosofia e Sociologia.

Ademais, cabe ressaltar que, de forma quase contraditória, a internet também é uma razão para a perpetuação do problema. A sociedade hiperconectada na qual vivemos - conceito cunhado por Pierre Lévy, filósofo francês -, ao mesmo tempo que facilita o contato entre os cidadãos, estimula o “ativismo de internet” ou “ciberativismo”. Uma vez que mostra sua indignação nas redes sociais, o indivíduo tem sua consciência pacificada e a falsa sensação de dever cumprido. Dessa forma, tende a não ir às ruas protestar pelos seus direitos, que é o meio historicamente mais eficiente de se pedir por mudanças.

Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Posto isso, urge que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, crie diretrizes que visem implantar microcosmos políticos dentro dessas, como eleições de presidente de sala, que além de representar os colegas frente ao corpo docente, ainda terão direito a algum outro benefício, como por exemplo vantagens em sua entrada em universidades de acordo com seu desempenho enquanto representantes de seus colegas. Com essas medidas, espera-se estimular a participação política do jovem no Brasil contemporâneo.