A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 23/05/2020

Durante a Segunda Guerra Mundial, a União Nacional dos Estudantes lutou contra o Nazifacismo, de modo a impor cobranças ao presidente Getúlio Vargas para que ele combatesse o modo  totalitário de governar. Todavia, durante os primeiros anos da Ditadura Militar, o governo reprimiu severamente o movimento estudantil - acabou por invadir e saquear a sede da União. Assim, os esforços dos jovens em buscar melhorias políticas e sociais, ao sofrerem repressões constantes e violentas, acabaram por resultar na inércia da participação política do jovem no Brasil contemporâneo. Isso ocorre pela falta de engajamento participativo, ao passo que representa um risco à integridade do sistema de governo.

A princípio, a juventude contemporânea é destituída de engajamento político. Nesse viés, a obra “A civilização do espetáculo”, de Mário Vargas Llosa, defende a frivolidade política como um mal que afeta a sociedade hodierna, na qual muitos optaram pelo silêncio e a participação pública está completamente sem opinião. Diante disso, a inércia da classe mais nova em buscar melhorias sociais e políticas torna evidente a situação denunciada por Llosa, já que o grupo em questão optou pelo silenciamento de suas lutas coletivas. Dessa forma, a civilização do espetáculo constitui-se em um sistema social que inviabiliza progressos e conquistas, à medida que forma jovens incapazes de opinar e alienados politicamente. Isso posto, torna-se clara a ameaça que o retrocesso da participação jovial e a espetacularização da política representam à democracia brasileira.

Além disso, o fraco envolvimento político dessa faixa etária representa  incertezas acerca  da integridade dos governantes brasileiros. Nesse sentido, o filósofo grego Platão defendeu que “o castigo dos bons que não fazem política é serem governados pelos maus.” Desse modo, substancial parcela dos jovens do Brasil se mostra incapaz de entender a afirmativa de Platão, pois a sua ausência política torna-se um obstáculo à qualidade das escolhas dos chefes de governo, que - escolhidos erroneamente- podem simbolizar a degradação de uma sociedade inerte e imprudente em fazer política. Visto isso, não é razoável que a mocidade brasileira aceite o legado de repressões durante a Ditadura e permaneça indiferente a um direito constitucional essencial: a participação política.

Portanto, visto a importância da inclusão política da jovialidade no Brasil hodierno, é necessário que as escolas insiram na grade curricular o ensino sobre participação política, por meio de debates em rodas de conversa acerca de pensadores como Platão e seus ideais. Assim sendo, desde a mais tenra idade, será possível entender a finalidade da política, não só afim de desconstruir as ideias da civilização do espetáculo, como também de assegurar as boas escolhas em eleições. Logo, a classe juvenil poderá valorizar e progredir com as conquistas dos membros da União Nacional dos Estudantes.