A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 16/05/2020

A filósofa brasileira Marilena Chauí defende a noção de democracia como um sistema que garante a igualdade no acesso aos direitos constitucionais. No entanto, o cenário desafiador de combater a falta de engajamento dos jovens no atual contexto político brasileiro contraria na prática a efetivação desse princípio constitucional. Diante disso, nota-se tanto a formação educacional quanto a inoperância estatal em garantir o acesso aos direitos como impulsionadores desse imbróglio.

Vale ressaltar, de início, a formação educacional do país como causa do problema em questão. Á guisa de kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele, tendo o ambiente acadêmico um forte impacto na formação do individuo. Nesse sentido, pode-se relacionar as ideias do filósofo ao aumento da evasão dos jovens no cenário político brasileiro, ao fato de que os jovens estão cada vez menos “intelectualizados”; percebe-se, então, uma disformidade na educação brasileira, visto que a escola está deixando de cumprir seu papel de educadora crítica e passando a ser uma transmissora informações e ensinado os jovens a reproduzirem sem que haja uma reflexão sobre determinados assuntos políticos e sociais, o que resulta em indivíduos cada vez menos pensantes e apenas seres superficiais com desinteresses em assuntos considerados “monótonos” pelos mesmos.

Cabe destacar, ainda, que a ineficácia de políticas pública compromete a resolução do impasse. Essa situação persiste devido às falhas do Estado no que diz respeito à demasiada corrupção nos cargos políticos brasileiros, bem como à precária falta comprometimento dos políticos com a população, cujo seus valores morais e éticos são levados em consideração quanto à decisões de âmbito constitucional, o que resulta em uma “descrença” nos jovens em relação a legalidade na política do país. Relacionado a isso, o jornalista brasileiro Gilberto Dimenstein em sua obra," O cidadão de Papel", refere-se a um cidadão com direitos adquiridos, porém não usufruídos, quase sempre por falta de condições fornecidas pelo Estado. assim também ocorre com os jovens no país, uma vez que o direito à participação política nas circunstâncias vigentes e à educação são constantemente negados pela atual condição de precariedade estatal brasileira. Dessarte, fica clara a urgência na resolução problemática.

Fica evidente, portanto, a importância da atuação da escola - como instituição formadora de opinião -, mediante o debate do tema, com o fito de esclarecer a comunidade sobre a gravidade da situação. Outrossim, assiste ao Estado o dever de criar campanhas políticas juvenis, por meio da reorganização do erário, o qual possibilite um maior engajamento e desperte interesse dos jovens na política do país para que assim possamos ter políticos democráticos no país, a fim de reverter esse quadro deletério. Destarte, chegar-se-á ao ideal proposto por Marilena Chauí.