A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 01/06/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. O poema, “No meio do caminho” de Carlos Drummond de Andrade, simboliza uma metáfora para desafios. De maneira análoga a isso, é fato que a questão do desinteresse a participação política do jovem, hodiernamente, no Brasil, mostra-se como um obstáculo para o avanço do país, seja pela falta debate, seja pelo descontentamento em relações aos políticos.
Primordialmente, o silenciamento em torno do tema mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. Nesse sentido, o filósofo Jürgen Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Nesse modo, para que o transtorno como o da difícil participação política do jovem seja resolvido, faz-se mister debater sobre a importância da participação, enquanto cidadão, na vida política. Entretanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada em meios como a escolas, a mídia e a própria casa do jovem. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Além disso, vale, também, ressaltar que o descontentamento em relações aos políticos está entre as causas da problemática. Nessa perspectiva, não só os inúmeros casos de corrupções, como também as incontáveis promessas não cumpridas fazem com que os jovens se afastem dos partidos e da política. Segundo dados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), há uma diminuição da quantidade de adolescentes entre 16 e 18 anos que votam sem estarem na faixa da obrigatoriedade. Nesse contexto, é essencial superar esses paradigmas que prejudicam diversos indivíduos.
Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para tanto, é preciso que o MEC, em parceria com as instituições escolares, promova no ambiente escolar um espaço para rodas de conversa e debates amplos sobre a importância da participação na vida política. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse contando com a presença dos professores e especialistas no assunto. Ademais, tais eventos não devem se limitar apenas aos alunos, mas ser aberto à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas à difícil participação política do jovem e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções. Somente assim, tirando as pedras do meio do caminho, construir-se-á um Brasil melhor.