A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 25/05/2020
Em um de seus sonetos, o poeta português Luís de Camões escreveu: “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Sob tal óptica, com o aparecimento das novas gerações, surgem novas ideias, o que é extremamente saudável para o regime democrático brasileiro. No entanto, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que se observa no Brasil é uma minoria de jovens ocupando cargos públicos. Isso se deve, sobretudo, à crença de que a juventude está alheia à política. Nesse sentido, a participação política dos jovens brasileiros ainda não se efetivou justamente por conta dessa ideia retrógrada, a qual é incentivada pelas classes dominantes, o que causa a manutenção do status quo.
A priori, é importante salientar que o discurso, de que os jovens não se interessam por política, é conveniente para os grupos que detêm o poder. Mas, na verdade, essa elite teme a gana por transformação que reside na juventude. Conforme ocorreu em 2015, quando estudantes do ensino médio de São Paulo ocuparam suas escolas, como uma forma de impedir que o governo da época mudasse o sistema educacional do estado, e foram bem sucedidos, é possível comprovar esse ímpeto do jovem em lutar por aquilo em que acredita. Logo, como esses estudantes foram capazes de se organizarem para defenderem um ideal, se eles obtiverem amplo acesso à política, poderão colocar em risco os privilégios de um pequeno grupo de pessoas. Ou seja, graças ao temor das classes dominantes pelas mudanças trazidas pela nova geração, alimenta-se uma crença, que já se mostrou equivocada, em relação aos jovens.
Consequentemente, sem essas novas ideias trazidas pela juventude brasileira para a política, o país está fadado a manter suas desigualdades. Sendo assim, essa disparidade entre o número de políticos mais velhos e mais novos, apontada pelo TSE, contribui para que haja a manutenção de práticas políticas prejudiciais ao desenvolvimento do país, como a corrupção.
Portanto, tendo em vista que os jovens brasileiros podem oferecer uma nova perspectiva para a política brasileira, é vital que o Governo Federal incentive a participação política da juventude. Primeiramente, esse incentivo deve se dar por meio da promoção de palestras, em escolas e universidades, com o intuito de desconstruir a ideia de que o jovem está alheio à política. Ademais, é necessário que essas palestras também elucidem o quanto o jovem pode fazer a diferença na sociedade, como na ocupação das escolas paulistas. Desse modo, com esse incentivo, as “novas vontades”, citadas por Camões, prevalecerão, isto é, as ideias inovadoras dessa e da futura geração de jovens brasileiros poderão estar presentes na esfera política.