A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 16/05/2020
A Ágora grega, durante a Antiguidade Clássica, era palco de discussões políticas pelos cidadãos, que correspondiam uma parte minoritária da população. Todavia, foi a primeira vez na história em que houvera a aplicação da então democracia, com um contingente maior nas decisões da pólis. No hodierno, após sufrágio universal, a cidadania moldou-se de outra forma, com um maior engajamento de jovens em questões públicas. Todavia, a participação não é homogênea no Brasil, o que consolida dois impasses misteres de resoluções: a intensa influência das mídias sociais e, em paralelo, o desinteresse gerado, afastando-lhes desse direito federativo.
“Ideologia, eu quero uma para viver”. Em paráfrase à memorável símbolo do rock nacional, Cazuza, vale ressaltar que, sob a ótica dos avanços tecnológicos, a mídia se tornou égide na construção de ideais, e, dessarte, direciona seu público à determinadas conclusões. Na política não é diferente, sobretudo para os jovens, que estão mais propensos ao influxo direto das ações midiáticas, segundo pesquisa realizada na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. Isso corrobora um problema maior, pelo preconício de notícias falsas e monopolização de alguns veículos de informação, ao tenderem à parcialidade em relação a grupos específicos. Desse modo, “as massas movem-se pelas sugestões impostas, pela simpatia ou antipatia, jamais, pela reflexão”, consoante Gregório Marañan.
Por conseguinte, cresce o desinteresse aos aspectos políticos entres os jovens brasileiros.De acordo com o CDS Political Science, após o descrédito sancionado pelas notícias, os indivíduos não encontram representação, e, dessa forma, potencializam na escolha de não participação, estimando cerca de 67% em 2015. Além disso, pesquisas recentes da UNESCO, relatam que a pequena porcentagem que visa interação, são advindos de famílias de alta renda. Logo, os atores sociais, pouco a pouco, desintegram-se do direito cabível à exerção plena, mediante a Carta Magna de 1988, com o hiato correspondente, muitas vezes, à segregação social, tornando a análise da política como elitista e excludente.
Mediante à monopolização de pensamentos, medidas, mesmo que paulatinas, devem ser tomadas para a resolução do problema. O Ministério da Educação deve, por intermédio de materiais didáticos imparciais, disponibilizar nos ambientes escolares, sobretudo no Ensino Médio Público, explicações didáticas acerca da política brasileira. Com a utilização de desenhos e linguagem de fácil acesso, induzir os jovens a analisarem a importância de se atentarem, despertando curiosidade e introduzindo-lhes ao ambiente. Somente com o auxílio educação, esses problemas serão sanados e a democracia, assim como na Grécia, possa englobar efetivamente todos os cidadãos.