A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 16/05/2020

Na década de 80, o Brasil viu uma juventude levantar-se frente ao regime militar e lutar por maior participação política, esse movimento viria a ser conhecido como “Diretas já”, que, apesar de não ter atingido seu objetivo principal à época, tornou-se um marco da nossa ainda recente democracia. Hodiernamente, apesar do papel crucial dessa faixa etária para transformações políticos-sociais, na contemporaneidade a juventude se mostra indiferente. Com isso, o descrédito em relações aos políticos e à intensificação da desvalorização da cidadania são os principais causadores dessa apatia.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que a falta de credibilidade aos políticos é um fenômeno mundial. Sob essa análise, no Brasil, destacando os inúmeros casos de corrupções, o momento de crise em diversas esferas da sociedade aponta para uma falência do modelo tradicional de participação política. Além disso, segundo dados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), há uma diminuição da quantidade de adolescentes,entre 16 e 18 anos, que votam sem estarem na faixa da obrigatoriedade. Diante disso, essa falta de engajamento, a longo prazo, resultará em uma maior consolidação de crise política, social e econômica, bem como à ameaça da própria cidadania.

Nesse contexto, percebe-se que, outra questão relevante, é a falta de acesso a uma educação de qualidade que valorize os conceitos ligados à cidadania e participação social. Sob esse viés, na Grécia Antiga , visto a importância da política para a construção de um Estado, existia a escola peripatética que, influenciada pelo filósofo Aristóteles, estudava-se política como um saber prático e fundamental. Com efeito, em um Estado Democrático de Direito, o jovem deve compreender seu protagonismo no que se refere a conquistar o bem comum.

É evidente, portanto, que o jovem tem um papel fundamental na construção nacional. Logo, cabe ao Ministério da Educação (MEC), incentivar escolas públicas e privadas, a fazerem uma abordagem da questão política fora do senso comum, por meio de aulas de história e sociologia, para que se tenha um histórico da participação da juventude em grandes eventos nacionais . Associado a isso, é de extrema relevância, também, que se ensine na escola como funciona e a importância de participar, enquanto cidadão, da vida política do país, com discussões, palestras e até eleições internas, para que os jovens participem de forma efetiva na política brasileira. Assim, os alunos terão a oportunidade de praticarem sua cidadania dentro do âmbito escolar e, por consequência, garantir uma melhor formação cidadã.