A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 24/05/2020
Na cidade-estado de Atenas no Período Clássico da Grécia Antiga o grupo dos anciãos era o mais favorecido não só por ocupar os principais cargos políticos, como também nas decisões que implicavam nos rumos da cidade, em detrimento dos jovens. Por isso mesmo, estes eram prejudicados por não exercerem influência em sua sociedade e, assim, não conseguiam lograr êxito em seus interesses. No Brasil contemporâneo, por sua vez, uma parcela considerável de sua população–especialmente a dos mais jovens–tem uma baixa participação nas diretrizes do país, e a principal causa disso são os casos de corrupção por parte da classe política e o pouco incentivo dado pela administração pública aos alunos das escolas e nos espaços públicos do país em referência ao seu poder de decisão política.
Inicialmente, tal problemática pode ser evidenciada no próprio Congresso Nacional onde cerca de um terço dos seus membros é constituído por pessoas entre 50 e 59 anos de idade. No entanto, isso não reflete a realidade do país em questão–sobretudo no que diz respeito ao eleitorado–, uma vez que uma parte significativa da população apta a votar é concebida por pessoas entre 16 a 33 anos. Assim, infere-se que esta parcela da sociedade está cética quanto à classe política brasileira, em virtude dos casos de escândalos de corrupção como, por exemplo, o deflagrado pela Polícia Federal em 2014(Operação Lava Jato), que envolveu a Petrobras num esquema a qual utilizava dinheiro público com escopos ilícitos levado a cabo por políticos em particular e até mesmo por legendas, o que suscita grupos que usam esses casos como subterfúgio à volta da Ditadura Militar nos moldes de 1964.
Outro problema ainda é que a administração pública peca em elaborar projetos–como de investimento em professores qualificados–,que propiciem o debate entre os alunos nas salas de aulas da escola, de modo que esses debates forneçam a compreensão de que grupos unidos são mais fortes e têm o poder de pressionar governos a fim de que atendam aos seus interesses, tal e qual as “Diretas Já” em 1984, que levaram centenas de milhares de pessoas às ruas do Brasil e foi tão significativa que, anos depois, foi promulgada a constituição cidadã de 1988.
A partir das problemáticas supracitadas, a fim de que os jovens no Brasil tornem-se mais participativos a questões relativas ao curso do país, compete ao Congresso Nacional em parceira do poder Executivo deliberar e aprovar leis ordinárias que, por intermédio delas, punam contundentemente políticos os quais usam o dinheiro público com finalidades escusas; que propiciem o investimento em profissionais da educação a fim de que conduzam debates nas escolas e espaços públicos para que os cidadãos mais jovens tenham em mente como e de que forma podem lograr êxito em seus interesses.