A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 17/05/2020

O célebre movimento estudantil dos anos 90 chamado, historicamente, de “Caras Pintadas”, reuniu jovens mobilizados politicamente perante uma intensa crise de representatividade da época. .Hodiernamente, o descrédito da juventude perante as instituições políticas ainda é comum e resulta, sobretudo, da negligência governamental em promover uma formação adequada da consciência política dos cidadãos. E isso, por consequência, leva os indivíduos a procurarem novos meios de se engajarem e adquirirem experiência política.

A princípio, é preciso analisar as causas da persistência da crise de representação na atualidade.Consoante Aristóteles, a política é necessária, em uma sociedade, para garantir os direitos da população e a plena manutenção da democracia. Esse pensamento contribui para a discussão na medida em que enfatiza o dever essencial do Governo em atuar no fomento à consciência política dentro de uma sociedade. Sendo assim, a garantia da permanência da isonomia inerente ao Estado democrático decorre de uma formação política adequada dos cidadãos. Entretanto,  o sistema é negligente quanto a essa questão da juventude, uma vez que não atende às demandas de formação política nas escolas, o que causa crises representativas, como no movimento dos anos 90.

Outrossim, a inefetividade das instituições faz com que os indivíduos procurem outros meios de se engajarem politicamente. Nessa perspectiva, a internet chega como um veículo de difusão de informações, que possibilita amplos debates políticos digitais e a criação de grupos de formação política. Desse modo, há o desenvolvimento de um ambiente favorável à participação política da juventude em que há troca de experiências entre internautas de diversas partes do país que se engajam em torno de causas sociais. E, diante desse panorama, o ciberativismo é usado para potencializar as mobilizações no mundo físico, semelhante ao ocorrido nas “Jornadas de Julho de 2013”, em que uma expoente parcela juvenil se mobilizou pelas redes sociais e foram às ruas lutar pelos direitos políticos.

Destarte, medidas são necessárias para que o desenvolvimento político da juventude seja estimulado. O Ministério da Educação deve promover a ampliação dos espaços políticos dentro das escolas por meio do redirecionamento de verbas. Essa ação deve ser realizada de modo a tornar obrigatória a formação de representações estudantis nas escolas e de grêmios estudantis em todas as escolas da rede pública. Essas organizações estudantis devem realizar oficinas de debate para os alunos com o fito de desenvolver a consciência política e cidadã dos alunos. Assim, haverá, de fato, uma democracia representativa que afirme os ideais da juventude.

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