A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 28/05/2020
O ano era 1985, e o que se via nos rostos dos brasileiros era o enorme desejo por democracia e liberdade, se opondo ao regime militar vigente desde 1964. Os versos de “geração coca cola” entoados por Renato Russo ecoavam pelas mentes dos jovens, os quais, por serem o “futuro da nação” como cantava Renato, estavam nas ruas exigindo os direitos e a liberdade de toda a sociedade de volta. Entretanto, a juventude do século XXI, diferentemente daquela de 85, participa da política de maneira mais indireta, situação que potencializa a falta de participação da sociedade no âmbito político.
A atuação dos adolescentes nos assuntos públicos existe, no entanto, ela é direcionada, em sua maioria, para quesitos pertinentes a eles, ou seja, que os afeta diretamente. Um exemplo disso foram os protestos ocorridos no ano de 2019. Nesses protestos, que ocorreram em todos os estados, os estudantes foram às ruas contra os cortes que haviam sido sancionados pelo Ministério da Educação. Mesmo que ocorram protestos como esses, ou que a internet seja utilizada como meio de mobilização dos estudantes, o fato é que, especificamente no quesito de eleições, não há presença ativa desses, uma vez que somente um entre cinco adolescentes das faixas etárias entre 16 e 17 anos fez seu título eleitoral, segundo o TSE. Esse dado, por conseguinte, tem suas causas.
Sob esse aspecto, é possível determinar fatores que fazem os futuros eleitores não estarem presentes nas urnas. O primeiro deles é a falta de representatividade. Muitos deles não usam o direito de votar porque não veem nos políticos atuais pessoas que poderiam representar suas ideologias. O segundo fator é o comum desapreço ou falta de vontade de saber/participar das questões governamentais. Quanto a isso, deve-se haver uma maior preocupação, tendo em vista que, segundo Aristóteles, um cidadão só seria “completo” se atuasse na política. Com base na visão aristotélica, é possível confirmar a grande importância, para a sociedade, que os aspirantes a cidadãos votem e se preocupem em estarem atualizados e informados quanto ao governo vigente.
Evidencia-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para que todos os jovens do país possam se tornarem cidadãos na totalidade da palavra, como Aristóteles acreditava. Para isso, as escolas brasileiras precisam inserir conteúdos que façam alusão e expliquem o modelo partidário, o sistema de eleições bem como o sistema de governo tanto nas aulas de filosofia quanto nas de sociologia. Dessa maneira, a política se tornaria um assunto claro na mente de todos os estudantes. Além disso, caberia a cada escola promover debates e palestras entre alunos e membros do executivo da cidade, como prefeitos e vereadores, que mostrassem aos alunos a importância do voto e de como usá-lo sapientemente.