A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 17/05/2020
Na década de 1980, o Brasil contemplou um fenômeno extraordinário e revolucionário: as Diretas Já, um dos primeiros movimentos políticos que a juventude participou de forma engajada e majoritária, ganhando grande visibilidade no país. Entretanto, o atual cenário nacional encontra-se distinto dos anos de 1980 e, atualmente, os jovens participam da política de uma outra maneira. Os tais, têm usado principalmente as redes sociais para manifestar-se e aplicado cada vez menos o poder do voto, que fora tão aspirado pelos manifestantes das Diretas Já.
A priori, deve-se considerar a abrupta queda dos eleitores de 16 e 17 anos nas eleições de 2018 : 40% a menos comparado às votações do ano de 2014, de acordo com o jornal R7. Essa condição vigora por inúmero fatores, sendo um deles, segundo a sociólogo Loriza Lacerda, é o caótico panorama político nacional, que desmotiva muitos adolescentes a exercerem seu direito de voto. Ademais, a importância das eleições e o grande poder de mudança que elas possuem não são pautas em muitas escolas brasileiras, condição que acaba diminuindo o interesse dos estudantes em envolver-se de forma efetiva nas escolhas governamentais e que necessita ser urgentemente mudada.
Contudo, a participação política da juventude brasileira não está inerte. A tal, continua manifestando-se de forma abrupta; porém, não tem mais colocado tanto suas questões e conflitos em protestos nas ruas e sim, principalmente, pelas redes sociais- criando um grupo popularmente conhecido como “manifestantes do sofá”. Os protestos acontecem, muitas vezes, por meio de hashtags, que são palavras chaves precedidas pelo símbolo cerquilha (#) com o intuito de tonar um assunto popular dentro das redes sociais, e são articulados desde esferas menores, como intraescolares, até mesmo grandes uniões estudantis, tal qual a UNE- União Nacional dos Estudantes. Esses protestos virtuais ganham muita visualidade, e frequentemente são escutados pelas lideranças nacionais, a exemplo de quando estudantes de todo o país levantaram uma hashtag para o adiamento de Exame Nacional do Ensino Médio, a #adiaenem, e, assim, iniciaram-se debates para o adiantamento da prova.
Portanto, é indubitável a importância histórica e social da juventude na política brasileira. Por isso, perspectivas como a baixa adesão de eleitores mais novos nas votações brasileiras devem ser coibidas. Para tal, é necessário uma participação mais profunda das na escolas na formação do eleitorado, com palestras e aulas mostrando a importância dos movimentos nas redes sociais e também do voto- visando uma maior participação dos estudantes nesses espaços. Além disso, eleições para cargos estudantis poderiam ser implementadas nos colégios, gerando um maior interesse dos jovens em processos eleitorais.