A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 04/01/2021

No final de 2015, estudantes do ensino médio do município de São Paulo ocuparam mais de duzentas escolas protestando contra a reestruturação do sistema educacional, após quase dois meses de ocupação o governo paulista recuou e suspendeu o projeto. Nesse ínterim, infere-se a eficácia da manifestação política fora das redes, ainda que rara, da juventude no cenário contemporâneo. Dessa forma, para existir um contexto plural e consolidar seu senso de cidadania a participação política dos jovens é importante.

A princípio, é válido ressaltar a política como instrumento basilar ao funcionamento do corpo social e imprescindibilidade de utilizá-la em prol da diversidade brasileira. Nesse contexto, a escritora Chimamanda Adichie em seu livro “O perigo de uma história única”, aponta a necessidade de ambientes múltiplos para tornar o cenário contemporâneo mais crítico, democrático e polifônico. Desse modo, haja vista os movimentos de minorias sociais serem constituídos substancialmente por jovens inconformados com as injustiças estruturais, para tornar a política institucional mais plural a participação dos mesmos postula-se vital. Logo, a geração Z, é capaz de retificar as pautas e políticas públicas em benefício aos seus ideais democráticos e plurais, em um contexto ainda homogêneo.

Ademais, cabe mencionar a participação política da juventude como questão necessária para a cidadania plena. Nessa perspectiva, o direito de atuar policamente votando, por exemplo, desenvolve no jovem o senso de coletividade, prevenindo uma postura anódina mediante as mazelas da contemporaneidade e garantindo a preservação da democracia no futuro. Tal lógica é ratificada no conceito de sujeito copartícipe de Agnes Heller, no qual propõe que além do governo, o indivíduo também é agente da transformação social em seu cotidiano. Por conseguinte, o engajamento político contínuo dos jovens brasileiros forma a autonomia cidadã dos mesmos, e resulta na aplicação e defesa da Constituição.

Portanto, nota-se a necessidade da constante participação política da geração Z no Brasil contemporâneo e torná-la-á possível por meio de abordagem educacional. Sendo assim, impende as instituições de ensino público e privado, respaldadas pela Base Nacional Comum Curricular(BNCC), promover o projetos semestrais de engajamento político. Essa medida pode ser constituída por aulas interdisciplinares de debate e juri-simulado de história, sociologia e filosofia, que estimulem os alunos a estudar e se posicionar. Tal medida deve ainda, incentivar a formação de grêmios estudantis, dando voz aos estudantes. Com fito de instigar o senso político e cidadão dos jovens. Por fim, ações como as de 2015 serão mais comuns e as pautas juvenis terão credibilidade.