A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 01/06/2020

O conceito de “instituição zumbi”, definido pelo sociólogo Zygmunt Bauman, explica que certas instituições políticas não exercem mais suas funções como deveriam, no entanto, mantém suas formas, sendo comparadas a mortos vivos. No Brasil, é indubitável que a participação política do jovem na sociedade ainda é um processo tardio, visto que, além do presente contexto da desigualdade social, que ocasiona a sensação de desvincular-se das condições subjetivantes que dão forma ao sentimento de pertencimento à coletividade, o mesmo não é incentivado nas instituições educacionais, o que logo remete-se ao conceito referido anteriormente. Destarte, é necessário analisar os fatores que fazem desta problemática uma realidade contemporânea.

Deve-se pontuar, de início, que o lento crescimento de cada indivíduo à condição de reconhecer-se e agir como parte de um  todo sustenta-se na construção social decorrente do sentimento de pertencer à uma causa importante. Na célebre pintura “A Liberdade guiando o povo”, de Delacroix, é possível observar que o nacionalismo postula o compartilhamento de uma identidade coletiva que busca a igualdade, fortalecendo-se, no Brasil, na forma de movimentos sociais em busca de equidade para as minorias. No entanto, a desigualdade social continua em níveis elevados, ocasionando, portanto, a ascensão dos mais favorecidos em decorrência dos indivíduos marginalizados.

Por conseguinte, vale ressaltar, ainda, que as instituições de ensino brasileiras não fornecem o devido amparo preparativo de situações políticas aos jovens. De acordo com a filosofia de Aristóteles, o governante da nação deve priorizar o bem comum, em detrimento de si próprio, uma vez que está incluído em um meio social, entretanto, nota-se que a educação brasileira ainda não é prioridade do

Governo, devido a ausência de educação política na base curricular dos jovens. Isso posto, é necessário, o ensino da política como manifestação da democracia e do debate público para que a sociedade esteja em harmonia com a filosofia política aristotélica.

Portanto, é indispensável efetivar medidas que desenvolvam a participação política do jovem no Brasil contemporâneo. Com isso, o Ministério da Educação deve incluir na grade curricular a educação política não partidária, providenciando capacitação intelectual para os professores com aulas  e campanhas específicas a fim de incentivar os alunos em práticas, como, por exemplo, debates e o aprendizado da Constituição sobre os instrumentos de participação e engajamento para além do voto. Somando-se, o Poder Executivo deve garantir a devida fiscalização re realização das leis, para que, dessa forma, o Brasil seja um país democrático e evoluído.