A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 17/05/2020

Aristóteles, filósofo grego da antiguidade, firma a ideia do homem como um animal político que busca sua comunidade para alcançar a completude. Apoiando-se nessa ideologia, pode-se afirmar o impacto da cultura de abstenção dos jovens, os futuros pilares sociais, diante dos impasses gerados na formação política do Brasil. Sobre a causa dessa ocorrência, deve-se considerar a inabilidade escolar em conectar o aluno ao mundo cívico, além da alienação pueril vinda da família para com o assunto.

Em primeiro plano, é importante destacar as instituições de ensino como sendo um dos principais meios de formação ideológica juvenil. Um artigo sobre a compreensão política dos dicentes de ensino médio da rede pública, por Edylene de Lucena, mostra que a falta de estrutura incentiva a baixa credibilidade nos professores e promove jovens com informatividade reduzida no assunto em questão. Diante do exposto, percebe-se a formação de uma geração que acaba por basear seu conhecimento e participação política já reduzida em fontes não confiáveis, frágeis e fortalecedoras de pré-conceitos não saudáveis ao desenvolvimento do próprio país.

Em segundo plano, deve-se considerar o pensamento juvenil como sempre tendencioso para a estrutura familiar que lhe foi aplicada. A pesquisa liberada pelo site “Politize” mostra como o comportamento parental no âmbito político pode refletir na geração da consciência cívica pueril, citando que a família  brasileira tende a apresentar a política como algo negativo e distante. Sob esse viés, é notória a falta de estímulo na participação ativa do jovem na construção do estado que rege a sociedade e, principalmente, a normalização da abstenção desses adolescentes quanto a formar uma opinião própria, aprofundada e crítica sobre o assunto em questão.

A partir das considerações apresentadas, torna-se cristalina a necessidade de uma mudança no cenário brasileiro atual. Primeiramente, o Ministério da Educação poderia reformular sua distribuição financeira de modo a priorizar um melhor suporte às instituições educacionais, contribuindo para o desenvolvimento da qualidade de ensino na rede pública e incentivar a credibilidade dos alunos no próprio sistema. Posteriormente, a prefeitura de cada município deveria organizar palestras, utilizando-se da contratação de sociólogos e outros profissionais qualificados, que promovessem uma maior compreensão dos familiares sobre a importância da apresentação dos jovens ao mundo político e ao incentivo de sua participação. Sendo assim, o contato direto entre a comunidade em questão e a política cresceria exponencialmente.