A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 29/05/2020

Jovem x política

O jovem protagonizou a política brasileira nas “Diretas Já”, mostrou sua força com a geração cara pintada e mais recentemente liderou as “Manifestações de Junho” que protestavam contra o aumento das tarifas de transportes coletivos. Apesar destas participações pontuais é possível perceber uma juventude apática politicamente no Brasil contemporâneo. Partes dos jovens são militantes virtuais e outra parte não disfarça o desinteresse, esse fato permite que velha política se perpetue.

Em primeira análise, as novas tecnologias digitais facilitam as mobilizações sociais e o compartilhamento de informações, isso contribui para os atos políticos e para a transformação do jovem brasileiro. Porém, esse olhar positivo se opõe ao comportamento de alguns indivíduos que se restringem a militar politicamente somente no mundo virtual. O comodismo de tuitar do sofá os acontecimentos políticos impede que parcela considerável dos jovens tome atitudes concretas para modificar a realidade. A participação na internet não se concretiza socialmente e acaba por terceirizar a responsabilidade, ou seja, é esperado que outros realizem as reivindicações políticas.

Por conseguinte, o desinteresse político do jovem é mostrado nos dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o qual aponta que a quantidade de jovens de 16 e 17 anos disposto a ir às urnas nas eleições presidenciais diminuiu. A mesma caiu de 2,2 milhões em 2002 para 1,4 em 2018. Esse fato alerta para o não engajamento da população jovem aos assuntos políticos do país, os quais justificam ser pela decepção com o quadro atual de corrupção e por que os discursos dos candidatos não coadunam com as ideologias do jovem, afirmou o G1 em 2018. Não entender e não se interessar pelo cenário político pode levar o país a reviver regimes políticos ditatoriais. O filme alemão “A onda” de 2008, mostra um experimento social realizado pelo professor de história para trabalhar o tema “autocracia”. Evidenciando o poder da manipulação de massas e como o mecanismo do fascismo são impostos de forma imperceptível. Fora da ficção também pode ocorrer e ocasionar um efeito devastador na sociedade.

Entende-se, portanto, que é necessário motivar o engajamento do jovem na política do país. É mister a ação da Justiça Eleitoral, com campanhas no meio de comunicação, para sensibilizar a comunidade quanto a importância do eleitorado jovem. Ao MEC cabe inserir, desde as séries iniciais, disciplinas que abordem o tema política e cidadania. As escolas podem atuar em parceria com os municípios e estados para promover a aproximação do aluno a área política. Em nível local com acompanhamento de reuniões de lideranças de bairros, conselhos de saúde e do próprio legislativo. Assim, desde a escola primária as crianças construirão consciência política, fundamental para escolher um representante no legislativo.