A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 30/05/2020

Segundo pesquisa realizada pela Secretaria Nacional da Juventude(SNJ), cerca de 9 em cada 10 jovens, entre 15 e 29 anos, afirmam que podem mudar o mundo. Tal dado, se mostra notável em paralelo aos números nada estimulantes sobre participação política dos jovens brasileiros. Analisando a condição da dicotomia, política-juventude, nota-se que os jovens brasileiros se encontram em condição de ceticismo em relação à política, ora pela corrupção, ora por carência de incentivos que tornem a política interessante, sem contar, ainda, com os baixos índices de representatividade parlamentar, que apontam para a necessidade de uma reforma em todo o panorama administrativo vigente.

Primeiramente, urge uma análise sistemática a respeito de representatividade e engajamento político-juvenil. Os jovens, no Brasil, somam menos de 2% do parlamento eleito. Segundo dados da Câmara dos Deputados, nas eleições de 2014, apenas 4,5% dos deputados eleitos eram considerados jovens, com até 29 anos. Dessarte, pode-se afirmar que a representação jovem na esfera pública é insuficiente para instigá-los à participação ativa na política, ou, ainda mesmo, em debates e reflexões críticas que os façam integrar a esfera pública à vida privada.

Concomitantemente, não se pode esquecer da desilusão oriunda da corrupção, do despreparo intelectual para compreensão das estruturas e burocracias envolvidas nos sistemas políticos, que caracterizam a negligência das instituições de ensino com a formação da cidadania dos indivíduos. Contudo, a  educação política não se dá somente por meio das instituições, no meio familiar também é muito importante a afirmação constante da relevância da política, até porque, ela está presente tanto na esfera da vida pública, quanto na privada.

Dessa forma, medidas devem ser tomadas para superar o impasse. Cabe ao poder público, medidas de inclusão e disseminação política. Atuam de forma muito significativa, o projeto de extensão, Senado Jovem, e o programa Estágio Visita, que visam a inclusão de estudantes do ensino médio e universitário no cotidiano de Senadores, para incentivar potenciais carreiras públicas, e maior participação destes jovens. Porém, é necessário ir mais a fundo, buscando atingir, a longo prazo, resultados mais significativos, que modifiquem a estrutura da visão popular relativa à política. Logo, seria interessante que as Secretarias da Educação, implementassem  um programa “Câmara Mirim”, visando a inclusão das crianças da rede municipal de ensino, no cotidiano da Câmara dos Vereadores, estimulando, dessa forma, o sentimento de pertencimento nos pequenos. Somente assim, será possível alterar a realidade vigente, buscando modificar, através da educação, o senso comum sobre política, fazendo da democracia o real instrumento de transformação.