A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 25/05/2020
Os jovens, historicamente, sempre foram um grupo ativo e engajado politicamente. Seja no Brasil, a exemplo do movimento Diretas Já, seja no restante do mundo, como nas famosas manifestações de Maio de 1968: sempre procuraram se articular em prol das mudanças político e socio-econômicas. Curiosamente, com o advento da internet e, posteriormente, das redes sociais, as novas gerações começaram a expor seus anseios e preocupações com a sociedade e, também, a se articular através desses novos meios de comunicação. Mas, seria essa nova modalidade de participação política dos jovens capaz de produzir mudanças concretas e não somente idealizações virtuais?
Em seu livro, Redes de Indignação e Esperança, o sociólogo espanhol Manuel Castells discorre sobre a importância que as redes sociais têm para um movimento social. Segundo o pesquisador, num contexto de globalização, as redes sociais tem a capacidade de conectar várias pessoas com os mesmos objetivos – e, em várias partes do mundo – de maneira rápida. Um exemplo notório foi a grande participação política dos jovens nas redes sociais durante a Primavera Árabe. Nas redes sociais, eles descobriram que não estavam sozinhos, e foram às ruas para mostrarem sua insatisfação com os governos ditatoriais. Mas, e quando as manifestações em ruas públicas não são possíveis?
O ano de 2020, certamente, trouxe grandes mudanças nesse sentido. A pandemia da COVID-19 impede com que os cidadãos vão às ruas e se manifestem, com o risco de contaminação pelo vírus e proliferação do mesmo. Contudo, a proibição de aglomerações devido às questões de segurança pública não impediu que a juventude reivindicasse o adiamento da edição do ENEM deste ano. Através das redes sociais, com destaque ao twitter, os jovens brasileiros promoveram um “tuitaço” nacional no dia 15 de Maio para que o principal exame de acesso ao ensino superior fosse adiado. O movimento gerou pressão no Ministério da Educação, e ganhou o apoio do poder legislativo, que se mobilizou para criação de projetos de lei que viabilizassem tal adiamento, que, no final, acabou sendo concedido pelo próprio governo.
Se, no passado, as redes sociais e os movimentos que se articulavam através delas corriam o risco de não terem a mesma força no mundo físico que tinham no mundo virtual, o presente ensina que os movimentos sociais são dinâmicos e se adaptam de acordo com a necessidade. Por fim, o movimento dos jovens, assim como os demais movimentos sociais, não é estático e sempre estará sujeito a mudanças. O ano de 2020 nos prova que a estigma sobre os jovens “ativistas de sofá” pode e deve ser revista. Não devemos temer que a participação política dos jovens brasileiros se dê pelas redes sociais, devemos temer seu silêncio.