A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 01/06/2020

O equilíbrio entre a potencial participação do jovem na política, através de veículos virtuais ou ações presenciais, e o impacto positivo que esta participação possa causar, está mais dependente da capacitação individual no cenário contemporâneo do Brasil. Além dos órgãos tradicionais de capacitação, como escolas e universidades, a veiculação da necessidade de capacitação individual é fundamental. A capacitação, de cada jovem, permitiria a participação autônoma e confiante de forma a ampliar sua influência, não apenas no voto, mas no acompanhamento daqueles que os representam, suas propostas e condutas.

A problemática que permeia a participação na política pelas novas gerações tem pilares antigos e novos. Uma antiga herança é a crescente descrença com a classe política no Brasil, as reais intenções de representantes eleitos e seus partidos que balançam entre atitudes de ganho pessoal, contra o trabalho em benefício daqueles que os elegeram. Aspectos mais recentes trazem como consequência negativa, para o aspirante participador político, uma disponibilidade de tempo menor, tanto pela demanda de trabalho, num mercado progressivamente competitivo, assim como uma necessidade de esforço maior para informar-se no atual cenário, principalmente, aquele virtual. A quantidade enorme de informações existentes, assim como a crescente chegada de novos fatos e notícias, torna a seleção adequada de fontes destas informações, uma tarefa cada vez mais exaustiva.

Algumas questões particularmente relevantes estão no centro da abordagem para a capacitação do jovem para a política: a necessidade da verificação da veracidade das publicações, especialmente pela produção de notícias falsas com intenção manipuladora, a busca pela imparcialidade, para evitar um viés de selecionar aquelas publicações que corroborem crenças previamente existentes, e a capacitação pessoal, objetivando que os fatos sejam interpretados com base em conhecimentos sólidos, para que o posicionamento do indivíduo possa ser isento, reflexivo e representativo de sua real intenção e inclinação social e política.

Uma adequada participação política por novas gerações vai exigir uma conscientização de cada indivíduo sobre a sua responsabilidade em informar-se adequadamente, para que consiga tomar decisões alinhadas com sua real intenção representativa. Escolas, universidades, grupos de apoio, entre outras entidades que são responsáveis pela formação de cidadãos conscientes e responsáveis podem ampliar a sua ação informativa para gerar maior autonomia política naqueles sobre os quais tem responsabilidade. Cabe a cada indivíduo, entretanto, a compreensão de que é sua responsabilidade ser este agente participativo na sociedade em que está inserido.