A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 19/05/2020

As recentes mudanças no estilo de vida dos brasileiros trazidas pela tecnologia e, consequente uso intensivo das redes sociais no dia a dia permitiram uma participação muito mais ativa dos jovens em diversos assuntos, principalmente em política. Todavia, pode-se dizer que a integração destes no meio de discussão política foi prematura, justamente por tratar-se de uma geração “de transição” entre a realidade tecnológica anterior, e a atual, que exige adaptações sociais e pedagógicas da população.

É da natureza do ser humano ter a necessidade de pertencer à um grupo, sentimento que se intensifica principalmente durante a puberdade, quando o jovem procura a sua individualidade. Período também responsável pelo constante desejo de possuir uma voz, transmitir maturidade e acreditar que seu conhecimento é absoluto, principalmente com a disponibilização do acesso quase infinito à informação. Indubitavelmente a participação ativa dos jovens em discussões políticas alimentam o “ego do ser e saber”, já que nas redes sociais, é possível manifestar ideias e opiniões de igual para igual, sem a insegurança de se expor no mundo físico nem a chance do pré julgamento pela pouca idade.

Além disso, outro traço característico dos jovens é a impaciência, o imediatismo. Traço que tem se agravado paralelamente com o aprimoramento da velocidade no meio tecnológico, tornando os jovens cada vez mais insaciáveis. Contudo, apesar do constante “bombardeamento” de informações nas redes sociais, as atuais configurações disponíveis não apenas permitem, como levam à uma inevitável alienação dos usuários,  visto que filtram o conteúdo que não tem interação/não os interessa, mostrando apenas aquilo que lhes é confortável, interessante. Como consequência, de maneira geral, muitos vestiram um “cabresto mental” e se fecharam à opiniões antagônicas às suas(que geralmente são as opiniões dos seus grupos sociais) e sequer procuram se informar apropriadamente, já que possuem constante acesso ao que desejam ver. Portanto, os fatores previamente citados sustentam a afirmação de que a geração atual de jovens são a fase de adaptação, pois é necessário que a sociedade, como um todo, se reestruture de modo que esta nova cultura seja incorporada.

A fim de guiar as gerações vindouras em direção ao melhor aproveitamento dos avanços tecnológicos, o Ministério da Educação deve lançar campanhas nas escolas e redes sociais conscientizando os jovens do poder que possuem em mãos com a atual tecnologia, ensiná-los que compreender, analisar e considerar o passado do país é imprescindível como alicerce de uma opinião política consistente, realista e tangível, e incentivar os jovens a buscar constantemente mais informações sem se limitar à opinião popular, procurar entender todos os lados, pontos de vista e buscar sua individualidade através do aprofundamento de seus conhecimentos.