A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 19/05/2020
Desde a Proclamação da República a política brasileira vem sofrendo diversas transformações. Com a primeira Constituição de 1891, o voto aberto deu espaço a prática do “voto de cabresto” exercida pelo “coronelismo”; a Constituição de 1934 instituiu o voto universal e secreto, aumentando a participação política; a Cidadã de 1988 deu voz a uma juventude cansada da opressão após 21 anos de ditadura militar. Contudo, com o advento da globalização, o perfil do jovem ativista vem modificando-se. Esse cenário antagônico deriva tanto de um maior engajamento quanto de uma construção de conhecimento mais ampla. Tendo em vista a importância da participação política dos jovens brasileiros, torna-se necessária a discussão sobre seus principais aspectos e desafios.
Precipuamente, é fulcral pontuar que a facilidade de acesso a informação tornou o jovem mais propenso a comprometer-se politicamente, principalmente por meio das redes sociais, embora a maioria o faça de maneira não “institucionalizada”, ou seja, não costumam afiliar-se a partidos políticos. Esse comportamento é reflexo do pensamento da “modernidade líquida”, teorizada pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que discorre sobre como a partir de 1970 há uma crise das utopias, dos partidos políticos e ocorre a fragmentação identitária, ou seja, a política assim como tudo, passa a se adequar ao jovem e não ele a esta.
Em segunda análise, as gerações atuais tendem a ter melhor capacidade argumentativa pelo maior acesso ao Ensino Superior, acumulando mais bagagem intelectual e fomentando diálogos acerca de pautas antes negligenciadas como o racismo, a sexualidade, a igualdade entre os gêneros entre outras. O número de jovens que participa da política deve aumentar, segundo pesquisa divulgada em 2018 pelo Datafolha, em que 29% dos jovens entre 16 e 25 anos intitulam-se propensos a disputar cargos políticos em processos eleitorais. É importante ressaltar que a abertura a novidades, o maior esclarecimento, a facilidade de adesão a causas identitárias e o espirito mais livre são características comuns a essa parcela, que pode resultar em um processo de renovação política.
Assim, medidas exequíveis são necessárias afim de aumentar a participação política dos jovens brasileiros. Dessarte, com o intuito de fomentar a politização dessa faixa etária, faz-se necessário que o Tribunal de Contas da União direcione capital para o Ministério da Educação, que deverá reverter a verba em investimentos na inclusão da disciplina de Ciências Políticas na grade curricular dos estudantes do ensino fundamental e médio, com o intuito de desenvolver, desde a infância, o senso crítico e a percepção do poder de escolha sobre o destino do país que cada um tem em suas mãos, engajando-os a atuar como protagonistas em busca de melhorias para o país.