A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 28/05/2020

Em dezembro de 2010, o jovem tunisiano Mohamed Bouazizi incendiou-se em praça pública como forma de protesto contra as más condições de vida em seu país. O fato alcançou proporções internacionais e culminou no evento conhecido como “Primavera Árabe” que derrubou inúmeras ditaduras. Uma década depois, episódios como esse ainda são lembrados mundialmente e abrem espaço para debates a respeito da atuação dos jovens como agente de transformação. No Brasil, a participação política desse público é expressiva, porém ainda está longe do ideal. Tal fato justifica-se pela desilusão política que acomete a juventude e pela ausência de uma educação cidadã efetiva.

Em primeira análise, é cabível citar a descrença no atual cenário político brasileiro como o fator que mais afasta os jovens das questões políticas. Devido aos autos índices de corrupção, a escassez de dialogo entre os poderes e a falta de honestidade que marca a democracia brasileira, o interesse dos eleitores juvenis torna-se cada vez menor. A título de exemplo, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de pessoas entre 16 e 17 anos aptas a votar em 2018 foi o menor da década. Assim, cria-se uma situação extremamente perigosa, visto que segundo a lógica platônica a resposta à abstenção política é ser governado por alguém inferior.

Somado a isso, a inexistência de uma educação política eficiente que forme cidadãos conscientes agrava a problemática e diminui ainda mais a participação dos jovens. Isso porque, consoante ao educador brasileiro Paulo Freire, “Se a educação sozinha não pode transformar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda”. Tal afirmativa mostra-se verídica, visto que, em momentos como a Primavera Secundarista de 2016, ato iniciado nas escolas que culminou no cancelamento das leis que sucateariam o ensino, a  educação mostrou-se indispensável para o sucesso político do movimento. Desse modo, é evidente a necessidade de uma cultura política desde a base escolar para a formação de  mentes  cidadãs e de jovens conscientes de seu papel como agente transformador.

Isso posto, torna-se necessário um debate a nível nacional sobre o tema. É preciso uma atuação conjunta entre os três poderes para resolver o problema. Para isso, a purificação da política brasileira através da investigação e da punição exemplar de crimes como a corrupção de modo a garantir maior credibilidade ao país e assim conquistar os jovens eleitores é fundamental. Além disso, a atuação do Ministério da Educação na promoção de uma educação política e cidadã eficiente desde o ensino básico é importante. Assim, será possível alcançar a inclusão juvenil na política por meio de métodos didáticos, como proposto por Freire e impedir que eventos trágicos como a morte de Mohamed aconteçam novamente para que os jovens tenham seu papel reconhecido pela nação.