A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 20/05/2020
Em meados da segunda década do milênio, o estado de São Paulo foi palco da Primavera Secundarista, um movimento liderado por estudantes que contrariavam as medidas prejudiciais à educação tomadas pelo governador Geraldo Alckmin. Tal circunstância evidencia um forte desejo e uma necessidade da participação da juventude frente à falta de representatividade política. Porém, essa questão ainda permanece desafiadora nos idos do século vigente, haja vista a perpetuação do ideal retrógrado de “bancada arcaica” como sinônimo de experiência, bem como a superficialidade que é tratada a inserção do jovem na política, revelando sequelas de uma monarquia ultrapassada e um padecer da mocidade em relação a falta de incentivo do Governo à civilidade.
Historicamente, o funcionamento dos sistemas políticos se dava de forma hereditária, sendo a supremacia transferida, geralmente, quando um herdeiro já findava a segunda idade, sendo esse um aspecto de saber elevado. Entretanto, de acordo com o filósofo Noberto Bobbio, em “Liberalismo e Democracia”, o ser jovem busca inovações, balanceando a política de acordo com a atualidade e com a arte, deixando de lado a visão individualista cuja pauta principal gira entorno somente do capital. Dessa forma, contata-se que é preciso reformular errôneos conceitos enraizados, como a idade como experiência, que fomentam as marés do declínio do posicionamento político dos jovens no país.
Outrossim, a notória depreciação governamental com o reconhecimento do jovem como animal político reflete na difícil politização da juventude, uma vez que não há discursos que mostrem a importância dessa atuação. Nesse sentido, apesar do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegurar o direito do jovem de participar de instâncias e manifestações políticas deliberativas, essa garantia é pouco aproveitada. Por consequência, é vivenciado um cenário nacional onde muitos jovens nem sequer tangenciam assuntos políticos, sendo necessária uma maior valorização por parte dos órgãos federativos.
Portanto, tendo em vista que a geração juvenil exerce um papel de suma importância na política, é mister a mitigação dos problemas que os impedem. Assim, cabe ao Ministério da Cidadania, ente responsável pela ascensão social, promover a conscientização de seu fundamental papel na sociedade, por meio de campanhas “in loco”, objetivando uma futura reta crescente, havendo uma juventude engajada politicamente. Ademais, o Governo Federal deve destinar recursos federativos para a realização de um site dispondo de eventos online, tangenciando abordagens políticas pertinentes, com o fito de se obter uma nova remessa de jovens políticos com maior aparato. Dessa forma, o Brasil será referência no que diz respeito ao desenvolvimento político nas mãos dos jovens.