A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 31/05/2020
De acordo com o filósofo grego Aristóteles o homem é um animal político, por ser dotado de razão e discurso, utilizando-se desses para o alcance de seus objetivos. Todavia no Brasil contemporâneo, o distanciamento da Geração Z, composta pelos jovens de até 20 anos, da participação política ativa é uma barreira à transmutação do regime. Tal fato deve-se à desilusão da juventude com o sistema atual e à não identificação com os partidos existentes.
Inquestionavelmente, a velha política brasileira baseada em relações de trocas interpartidárias e interesses pessoais dos candidatos e seus aliados vem a cada dia sendo mais condenada, não é raro a presença do termo ligado à imagem negativa de determinados estadistas, bem como de noticiários que condenam suas façanhas. Todavia o cenário político atual é composto maioritariamente por indivíduos que praticam esse regime e aqueles que se demonstram contrários dificilmente conseguem destaque ou apoio, uma vez que a política velha é a que mais vinga diplomaticamente. Dessa forma, a esperança de renovação na forma de governo diminui a cada geração, tal fato é observado em cruzamento feito de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com informações do IBGE, onde o total de jovens entre 16 e 18 anos com título representa apenas 25% da população nessa faixa etária. Assim sendo é notável o descontentamento com o modelo de organização atual, mas a diminuição da participação pelos que trazem novos ideias em razão de sua aparência ininterrupta.
Analogamente, a não identificação com os partidos políticos que se apresentam atualmente ampliam o distanciamento da juventude com relação à participação política, visto que apesar dos diferentes posicionamentos e ideais a serem defendidos nenhum traz consigo uma renovação nos moldes políticos que são responsáveis pela atual decepção da classe mais vivaz de eleitores. De acordo com pesquisa do Instituto Datafolha realizadas com brasileiros de idades entre 18 e 24 anos, 59% dos entrevistados afirmaram não ter nenhuma preferência partidária, demonstrando não só afastamento da vida política, como ausência de representatividade. Logo, é evidente que os jovens em busca de inovação acabam por distanciar-se do que consideram retrógrado.
Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas a fim de solucionar a problemática. O Ministério da Educação deve incluir na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) a disciplina de Ciência Política, por meio de professores qualificados, durante o ensino médio, no qual se encontram maior parte dos jovens a fim de começar uma vida política ativa, a fim de que haja uma melhor compreensão a respeito de fenômenos e processos políticos, gerando uma maior participação política do jovem no Brasil contemporâneo.