A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 29/05/2020

No Brasil Império apenas homens livres maiores de 25 anos com 100 mil reis anuais participavam da política, ou seja, era um campo extremamente excludente. Na contemporaneidade direitos foram conquistados, dentre eles o poder de voto para todo ser humano maior de 16 anos, e a democracia assegura esse direito a partir da Constituição Federal. Todavia, faz-se necessário refletir sobre a efetiva participação política do jovem no Brasil contemporâneo e as consequências disso.

Atualmente, há inúmeros movimentos políticos de jovens, dentre eles a União da Juventude Socialista, que nasceu durante a Ditadura Militar, para confrontar o Estado antidemocrata, conquistou o voto aos 16 anos, e até liderou o movimento caras-pintadas. Movimentos como esse evidenciam a necessidade da participação jovem na luta pela democracia, deixando claro para esses novos cidadãos que direitos são conquistados com luta. O sociólogo Karl Marx, em seus estudos sobre a sociedade, ponderou que não é apenas necessário conhecer a estrutura social, mas também mudá-la. É por isso que há tantos movimentos democratas atualmente, pois cada vez mais, novos cidadãos têm seus caracteres formados sobre o campo da democracia, tornando-se responsabilidade desses defendê-la.

Outrossim, é necessário que o jovem tenha, sobretudo, consciência de classe, pois educação, saúde e estrutura social compõem a política. Isso foi notado No ano de 2019, quando milhões de estudantes de todo o país foram às ruas, lutar pela educação pública. O corpo estudantil começou a perceber a importância da sua participação na trama política brasileira. E é tendo como argumento o pensamento de Nelson Mandela - a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo, que as universidades passam a concretizar dentro de seus domínios os grupos estudantis politizados, com o intuito de promover a mudança que o país necessita, tanto no viés estrutural como no social, tentando amenizar a imensa desigualdade socioeconômica brasileira, que é histórica.

Torna-se evidente que é necessária a participação jovem na política nacional, o que deve ser mais incentivado pelo próprio governo. Cabe ao Ministério da Educação, juntamente com suas secretarias, tornar obrigatório no ambiente escolar a existência de movimentos politizados, como grêmios e clubes estudantis, com o intuito de gerar a discussão de vários temas sociais, entre professores e alunos, de forma a desenvolver um olhar crítico nos jovens, para que eles sejam familiarizados com essa atitude desde a formação básica de seus caracteres, e desenvolvam essa sabedoria social. Promovendo assim a coletividade do corpo social.