A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 20/05/2020
Na década de 80, muitos jovens exerceram seus direitos políticos na manifestação de viés democrático “Diretas Já”. Contudo, hodiernamente percebe-se a restrição da participação política de jovens ao ambiente cibernético em detrimento do mundo físico. Nesse cenário, percebe-se essa realidade ao analisar o grande engajamento político em redes sociais e a diminuição de protestos nas ruas.
No que concerne à problemática, percebe-se, na última década, que os jovens criaram ambientes de discussões políticas em redes sociais. Nesse sentido, ao acessar a página principal de sites como o “Twitter”, percebe-se, imediatamente, inúmeros tópicos de ordem política em debate entre, em sua maioria, jovens. Com isso, dado a rápida velocidade de disseminação de informações nas redes, ocorre, por vezes, a disseminação de notícias falsas e, para isso, surgiram empresas de “fact-checking”, que analisam a veracidade de notícias online. Como consequência, desse cenário, muitos jovens restringem suas participações políticas ao meio online e não físico, dificultando a reivindicação política.
Além disso, as manifestações presenciais relacionadas aos jovens decresceram no Brasil. Nesse viés, ocorre a perda de direitos políticos, visto que, conforme teorizou o filósofo contratualista John Locke, o Estado é uma ferramenta para garantir os direitos fundamentais aos cidadãos e, na falha dessa proposta, é direito do indivíduo rebelar por mudanças, logo, é imprescindível à democracia que as manifestações, principalmente jovens, estendam-se além do âmbito cibernético. Nesse cenário, segundo a Empresa Brasil de Comunicação , o número de jovens que optaram por votar no período opcional decresceu nas últimas décadas, o que configura como consequência dessa realidade no país.
Fica evidente, portanto, a importância de manifestações físicas de adolescentes no país. Para isso, cabe ao Ministério da Comunicação, por meio de página oficial na rede, garantir acesso confiável a informações do cenário político, a fim de atingir, principalmente, os jovens e permitir a democratização de informação. Outrossim, cabe às mídias tradicionais, como a TV e o rádio, através de matérias voltadas ao público jovem, incentivar a reivindicação de direitos do grupo e a manifestações de âmbito presencial, com intuito de fortalecer o poder político jovial. Sendo assim, é possível restaurar o espírito reivindicador jovem marcado nas “Diretas Já”.