A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 31/05/2020

Em 2019, Greta Thunberg, de 16 anos, realizava seus discursos na ONU confrontando os líderes políticos sobre a emissão de gás carbônico no planeta. Embora devesse ser referência a juventude contemporânea, tal exemplo de se impor politicamente não é seguido pelos jovens, principalmente no Brasil, uma vez que a cultura conservadora, que domina as instituições sociais e políticas impede que a voz do jovem seja escutada. Nesse sentido, é evidente como a participação política do jovem só é importante quando a convém e como ela não é instigada pela Escola e a Família, culminando em uma juventude sem engajamento e fadada a cometer os mesmos erros do passado.

Após décadas de ditadura no Brasil, foi em 1988 que os jovens brasileiros adquiriram o direto ao voto a partir dos 16 anos. Entretanto, algo que deveria instiga-los a exercerem plenamente o direito de sua cidadania, desiludiram-os graças a corrupção e os velhos e pérfidos costumes políticos. Como já cantava Chorão e Negra li: “O jovem no Brasil nunca é levado a sério” e até mesmo na eleições, continua sendo desvalorizado, uma vez que os líderes políticos só o enxergam como números que os levam a serem eleitos. Diante disso, é importante ressaltar que essa visão deturpada da juventude é em decorrência dos costumes conservadores políticos, que prezam pela programação do jovem à inércia.

Assim, tal inércia é proporcionada por instituições como a Escola e a Família, que não se preocupam com a visão de mundo da juventude e nem com o papel que ela exerce na sociedade. Ademais, como já dizia Paulo Freire:“a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Todavia, o que ocorre nas escolas é o contrário: a leitura da realidade sendo desvalorizada e desconsiderada, assim como os ideais da juventude, que são calados desde cedo  tanto pelo corpo docente quanto pela família. Dessa forma, é evidente como a alienação da massa é o objetivo principal dos políticos brasileiros, visto que isso afeta negativamente a participação política dos jovens, impedindo a busca por mudanças no país.

Em suma, é evidente como a própria sociedade impede os jovens de obterem caminhos que se assimilem com o de Greta Thunberg. Portanto, urge que  o Governo inicie um combate contra os costumes conservadores políticos, por meio da inclusão dos jovens ao debate, possibilitando que sua voz além de ser escutada, seja valorizada. Além disso,  é necessário que o Ministério da Educação em conjunto do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos promova o acesso a uma educação de qualidade, respeitando a doutrina de Paulo Freire, por meio das escolas e das famílias que deverão valorizar e instigar a leitura de mundo aos jovens. Apenas com tais medidas é  que o jovem obterá engajamento político e não será fadado a cometer os mesmos erros do passado, possibilitando uma maior participação política dos jovens no Brasil contemporâneo.