A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 22/05/2020

A celeuma sobre a participação política do jovem no Brasil contemporâneo vem tomando espaço na sociedade. Tal debate é reflexo de ínfima atuação popular característica da história brasileira desde, por exemplo, o período imperial, o qual foi caracterizado pela centralização do governo e das informações de interesse público. Esse imbróglio contribuiu para a atual situação de pouco engajamento do jovem à política, devendo ser analisado para que haja soluções eficazes e peremptórias.

Para ilustrar o exposto acima, segundo o filósofo ateniense Aristóteles a felicidade dos cidadãos da pólis poderia ser alcançada por meio da participação política que visasse o bem comum em debates na ágora. Nesse viés, fica notória a importância dessa ação para o desenvolvimento da sociedade, principalmente quando praticada pelos adolescentes, já que esses formarão a classe votante que decidirá os rumos do país. Entretanto, não é o que se observa no Brasil, pois poucos são os que, de fato, estudam o básico sobre relações políticas que os ajudem no engajamento, mesmo tendo diversas fontes de informações verdadeiras oriundas da internet. Ao contrário do esperado, o mundo virtual não se tornou tão semelhante à ágora, pois, muitas vezes, os jovens o utilizam para disseminação de notícias falsas e para outros fins que impedem uma participação incisiva na política contemporânea.

Além dos fatos supracitados, para o cientista norte-americano Steven Pinker, em seu livro “O Novo Iluminismo”, a tendência do crescimento do progresso é uma constante mundial, impulsionada desde o movimento iluminista. Todavia, para a devida concretização desse pensamento, é necessário um meio político forte e incentivador da constante mencionada, contando com os jovens atuantes nas decisões que visem o bem comum, além de serem conhecedores do que está havendo na cúpula governamental para poderem praticar as benesses do estado democrático de direito. Além disso, com a formação de jovens pessoas mais eruditas e participativas, a tendência é de renovação da política histórica brasileira, a qual praticava atitudes maléficas como o nepotismo, a corrupção e o favoritismo.

Destarte, para solucionar a questão da ínfima participação do jovem na política do Brasil hodierno, cabe às Universidades, em parceria com escolas a partir do ensino fundamental, criar projetos de visitas semestrais de discentes dos cursos de História e de Filosofia às instituições educacionais de nível básico. Em consonância com tais visitas, o debate sobre a importância do engajamento político dos adolescentes seria o objetivo comum, mostrando os fatos históricos que se beneficiaram com esse hábito, como, por exemplo, a estrutura política forte de Atenas. Outrossim, os discentes universitários ainda debateriam sobre a necessidade do uso eficaz e inteligente da internet para promover tal objetivo. Dessa forma, espera-se a formação de uma nova geração participativa e bem formada na política.