A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 23/05/2020
Desde a Constituição brasileira de 1988, jovens de 16 e 17 anos ganharam o direito à escolha de também poder participar das eleições através do voto, evidenciando o poder que esses também tem na política. Contudo muitos desses nem consideram usufruir desse direito, mostrando uma falta de engajamento na participação política ou no sentimento de distanciamento quanto a ela. Nesse sentido, faz-se mister analisar a situação atual e procurar suas causas.
Em primeiro lugar, o envolvimento dos jovens com a política está tornando-se cada vez menor. Segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em 1992 o número de eleitores com 16 e 17 anos foi de mais de 3 milhões e 200 mil, o que em comparação aos menos de 2 milhões e meio em 2010, mostra, mesmo embora a quantidade dessa faixa etária tenha crescido, a vontade de envolver-se politicamente diminui. Consequentemente, esse estado pode acarretar uma população muito mais passiva na democracia, no qual o poder do cidadão se resume ao voto.
Ademais, a forma de fazer política mudou muito nas últimas décadas, com o avanço da internet torna-se mais rápido o meio de obter informação, porém, não adianta ter o acesso a essa sem saber entender-la, é preciso ter senso crítico. Todavia, a situação atual incita mais casos como os de “Privacidade Hackeada”, documentário sobre como o uso das redes sociais pela empresa Cambridge Analityca influenciou eleições de grandes países. Sendo assim, fica evidente a necessidade de uma educação criadora de senso crítico e de indivíduos ativos as informações, evitando a manipulação.
Outrossim, está o problema quanto a escassez na preparação desses jovens para uma vida política ativa, para o entendimento de como a mudança é possível, e então estabelecer novamente o vínculo entre população e política. Dessa forma, juntamente ao que foi falado pelo o educador brasileiro Paulo Freire —se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda— , evidenciasse como esta faz-se necessária para o restabelecimento da fé na política. Logo, é importante perceber como uma eficiente Educação Política pode democratizar o poder.
Em virtude dos fatos mencionados, fica claro como o afastamento e desconhecimento da população mais jovem da política, acarreta em gerações distantes que apenas delegam o poder para um grupo. Portanto, o Ministério da Educação, junto com as secretarias de cada estado, deve colocar a matéria “Educação Política” na grade obrigatória de Sociologia, História e Geografia do ensino médio, fase formadora do jovem, a fim de criar engajamento e carácter crítico, resultando numa geração contrária à passividade no meio político. E, por fim, muitos dos direitos adquiridos em 88, finalmente serão de fato usufruídos.