A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 22/05/2020
Na série “Anne With an E”, da plataforma de streaming Netflix, a personagem principal, juntamente com a sua turma, luta para contestar a decisão dos governantes da cidade em relação à nova direção da instituição de ensino que ela frequenta. Nesse sentido, fora da ficção, é notório que tal prerrogativa está intimamente ligada ao contexto atual brasileiro, em que a participação política dos jovens no país tem se tornado, muitas vezes, reduzida. Diante disso, entre os fatores que corroboram com a permanência dessa problemática no cenário hodierno, estão a intensa burocratização presente nas formas de ingresso nesse âmbito, bem como o descrédito desse público no que tange às formas de governo vigentes na contemporaneidade.
Em primeiro plano, é válido salientar que, por mais que a participação política seja um direito assegurado pelo artigo primeiro da Constituição Federal, muitos jovens se encontram desacreditados com essa perspectiva. Dessa maneira, tal fato está associado às formas de governo que vigoram na atualidade, haja vista que elas sucumbem esse desejo, seja por escândalos, descalabros administrativos, partidos sem identificação popular e, até mesmo, a corrupção. Afinal, segundo dados da EBC (Empresa Brasil de Comunicação), a taxa de adolescentes, entre 16 a 18 anos, que votam no país, diminui em 4% na última eleição.
Ainda nesse viés, cabe destacar também que, na Grécia Antiga, para o filósofo Aristóteles, o ensino da política era um saber prático e fundamental para o desenvolvimento da nação e do intelecto. No entanto, na atual conjuntura, infere-se que a intensa e desestimulante teia burocrática que se desenvolveu no país em relação a essa temática prejudica esse preceito, uma vez que os jovens possuidores da vontade de exercer seu Estado Democrático de Direito são, muitas vezes, negligenciados. Com isso, urge que medidas sejam tomados o quanto antes, com o fito de incluir e despertar o desejo de participação nas esferas políticas por parte desse público.
Em suma, para mitigar os problemas abordados, urge que o Estado, como mantenedor da ordem, progresso, leis e bem-estar civilizatório, invista na criação de campanhas e projetos criativos que despertem a participação ativa dos jovens na política brasileira, divulgando nos diversos meios midiáticos, como TV e redes sociais, a importância do futuro da nação se posicionar frente a esses assuntos. Tal ação poderia ser realizada por meio da alocação de recursos e investimentos governamentais, bem como na redução da burocracia existente na inserção desse público. Com isso, será possível que essa parcela se interesse mais nesse cenário, alcançando, assim, a legitimidade da Constituição de 1988 e um grupo semelhante àquele retratado na série “Anne With an E”.