A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 25/05/2020
A mudança no campo de estudo da filosofia ocidental, após a conquista da Grécia pela Macedônia - que sai da esfera coletiva e política para uma área individual e de busca pela felicidade - explica-se pela divergência no setor governamental entre ambas as culturas, pois, enquanto a Grécia Antiga baseava-se em um regime centralizado, com a participação direta de seus cidadãos, o Império, de Alexandre, o Grande, era potencialmente centralizado, no qual, a sua população era posta a margem de questões que regiam o Estado. Em consonância, apesar do Brasil se apresentar como uma democracia, é nítida a grande porcentagem daqueles que não participam, de fato, do âmbito político, em consequência, os jovens, que se desenvolvem a partir dessa realidade, juntam-se a essa perspectiva.
Segundo o cientista político argentino Guilhermo O’Donnel, sociedades latinas que passaram por governos autocráticos, como a ditadura militar brasileira, foram incapazes de gerar o fortalecimento de seu regime democrático, constituindo então, o que ele entende por sistema delegativo. Nesse sentido, há fragmentos em que reina a soberania popular, como o sufrágio universal, porém, na maior parte do tempo, os representantes da sociedade agem de acordo com seus próprios interesses e vontades, constituindo uma administração autoritária, de cima para baixo. Em concórdia, no Brasil, em pronunciamento oficial, em 2020, o presidente negou o seu dever de prestação de contas, dever esse, essencial para o estabelecimento democrático. Nesse sentido, o jovem, assim como a maioria da população, percebe-se alheio aos anseios públicos, já que se percebe distante dessa instituição.
Além disso, ao contrário do modelo parlamentarista, presente na Inglaterra, o Brasil adota o presidencialismo, que propicia a candidatura de presidentes com base no domínio carismático de Weber. Isso significa que, não se escolhe representantes a partir de suas propostas públicas, mas sim, por sua personalidade, que se assemelha a de seu eleitor. Isso gera o fanatismo, utilizado por jovens e demais setores, que transforma a mínima participação política que existe em disputas ideológicas, em que só há a satisfação pessoal caso haja a vitória daquele que representa os seus anseios.
Diante dessa conjuntura, é possível concluir que a juventude brasileira tem baixa participação em interesses da nação por conviver em meio a um governo democrático com bases autoritárias e misturar ideologias com o fanatismo político. Assim sendo, é claro que ações, tanto governamentais, quanto sociais devem ser tomadas. Primeiramente, órgãos capacitados da esfera pública devem fomentar, em escolas, a prática cidadã, por meio da introdução da Ciência Política na base curricular comum de ensino, para que o jovem seja capaz de romper com os ideais da democracia delegativa. Por fim, a família deve demonstrar práticas civis em casa, para, assim, motivar sua prole a atuação social.