A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 31/05/2020
“A Bacamarte Invisível”
Vivemos em tempos em que uma cultura midiática e virtual tomam proporções concretas na crianção de um imaginário político e social da sociedade. Pode-se dizer que existe um “cyber-espaço” ocupando vias públicas neste exato momento sem que de fato pudéssemos esbarrar em sua materialidade. Espaços esses ausentes, onde a juventude grita e reivindica por direitos e melhorias. Uma rede de conexões infinitas, consumida, majoritariamente por esses jovens que correspondem a um terço dos eleitores nacionais. Seriam essas manifestações realmente invisíveis ou as gerações anteriores que refutam a aceitar como concreto o que pra eles, os jovens, se faz tão presente?
Acredito que exista uma certa dificuldade cultural em entender e validar o novo quando se é acostumado a objetos do seu tempo, porém é de extrema importância praticar um certo distanciamento quando tendemos a chapar e generalizar as situações até então desconhecidas. O fato é que existe uma potência criadora na ferramenta a qual a juventude emerge, e que é ainda utilizada de forma precipitada. Essa ferramenta produz e fomenta uma quantidade significativa de informações mundiais históricas e de seu tempo, ao passo em que forma redes e grupos amadores. Porém na medida em que existe esse excesso de informações, também se notam as “fake-news” que passam despercebidas por um olhar não treinado do meio. A formação do pensamento crítico diante desse instrumento, e só ela, poderia fazer com que se transformasse no equilíbrio possível e necessário para que a juventude ocupasse materialmente na internet e de forma concreta o que a geração de suas mães e avós ocuparam nas ruas.
O que a juventude vislumbra com essa ferramenta é compor seus diversos tipos de manifestação, e não substituí-los, podendo criar um imaginário coletivo como extensão de seus membros, querendo ocupar mais do que tão somente as ruas, mas participar de forma ativa de uma política transparante e verdadeiramente democrática.