A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 24/05/2020

Jean Jacques Rousseau, filósofo iluminista, afirma que o progresso de uma sociedade está intrinsecamente ligado à autonomia dos cidadãos que a compõem. Na década de 80, o Brasil viu uma geração que cresceu em meio à ditadura se levantar e lutar pelo direito de participar politicamente na vida do país a partir do voto. Esse movimento viria a ser conhecido como “Diretas Já”, que, apesar de não ter atingido seu objetivo principal à época, tornou-se um marco da recente democracia. Na conjuntura nacional, observa-se a importância efetiva dos jovens participarem e se engajarem na política e os obstáculos que dificultam essa transformação.

Mormente, de uma perspectiva prática, observa-se o aumento participativo dos jovens na política do século XXI. Os meios de comunicação efetivam esse engajamento, disponibilizando perfis como, por exemplo, o “Quebrando o Tabu” e “Movimento Brasil Livre”, ambos os sites com opiniões contrárias no viés político, mas inerente à formação da juventude, formando um indivíduo crítico. As jornadas de junho de 2013, mostrou o quão necessário foi a união dos jovens, a partir de grupos na internet, para protestar contra os aumentos tributários no transporte público, visto que os mesmos não demonstravam melhorias na infraestrutura. A partir desse contexto, outras pautas foram reivindicadas, como melhorias na saúde, educação e na habitação.

Entretanto, grande parte dos jovens carecem de informações transparentes e concretas sobre os conceitos políticos e o rumos que acometem o Brasil. Ademais, o comodismo é outro fator latente que muitos indivíduos apresentam, dificultando a formação de um ser questionador e o privando da sua liberdade de escolha, que acabará por ser influenciada. Todavia, aumenta o número dos ‘Ativistas de Sofá’, que criticam os políticos e as mazelas da sociedade no meio digital, no entanto, não comparecem nas manifestações físicas, o que acaba desestimulando os seus seguidores.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para expandir e formar jovens participativos no âmbito político, como, por exemplo, palestras interdisciplinares nas escolas, com professores de sociologia, história e filosofia, com o objetivo de explicar os fundamentos e conceitos políticos e as principais conquistas que a participação dos cidadãos, principalmente os jovens, alcançaram. Outra medida, é abrir diálogos na internet sobre os “ativismos de sofá” e, a partir dessa metalinguagem, conscientizar os militantes e fazê-los compreender o quão importante é o ativismo físico. Por último, e muito importante, cobrar e acompanhar os trabalhos propostos pelos políticos. Dessa forma, o Brasil tornar-se-á mais coeso, aproximando-se da sociedade proposta por Rousseau.