A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 25/05/2020
Na década de 1980, a juventude brasileira mobilizou-se em diversos protestos a fim de reivindicar as eleições diretas para o cargo de Presidente da República - movimento conhecido como Diretas Já. Nesse sentido, é inalienável que essa mobilização evidenciou a participação política dos jovens, a qual, infelizmente, encontra-se precária na atualidade em função da falta de interesse frente às questões sociais, prejudicando o exercício da cidadania. Dessa forma, há de se desconstruir a alienação política a fim de garantir que a democracia seja exercida de forma plena.
Em primeiro plano, é imperativo pontuar que a falta de interesse da juventude decorre da corrupção e comunicação precária com as autoridades, o que resulta na ausência de perspectiva de mudança no cenário sociopolítico brasileiro. Sob essa ótica, o filósofo Michel Foucault afirma, em seus estudos acerca da Microfísica do Poder, que a influência se dá em todas as relações sociais, ou seja, não advém apenas das autoridades para a sociedade civil. Desse modo, como a pressão exercida pelo corpo social em seus governantes será eficiente para garantir mudanças, a juventude deve se mobilizar em manifestações físicas e nos meios digitais a fim de garantir que seus direitos sejam respeitados, exercendo, assim, a cidadania.
Em segundo plano, cabe ressaltar que a ausência de participação política dos jovens prejudica o bem-estar social e o exercício da democracia, visto que os cidadãos passam a ser agentes passivos nas decisões que influenciam em seu cotidiano. Acerca disso, o sociólogo Jurgen Habermas afirma que todos os indivíduos têm a capacidade de defender os seus interesses e de sua comunidade. Nesse sentido, destaca-se a necessidade da juventude participar ativamente da política, não apenas nas votações, mas também em reuniões para a tomada de decisões na comunidade, como as do Plano Diretor. Dessa forma, a democracia será exercida em detrimento da corrupção, visto que os indivíduos estarão bem informados acerca de como os governantes estão gerenciando os recursos da nação.
Diante disso, torna-se evidente a importância da participação política dos jovens para garantir o bem-estar social. Para ressaltar esse papel, cabe à Escola, no exercício de sua função socializadora, informar a juventude acerca de sua influência no cenário sociopolítico brasileiro a fim de incentivá-la a mobilizar-se no espaço público e nos setores midiáticos para reivindicar seus direitos e os deveres das autoridades. Isso será feito por meio de aulas e atividades lúdicas que explicitem como cobrar os governantes de maneira pacífica e mostrem exemplos históricos da eficiência dos movimentos populares, como as Diretas Já. Com efeito, a democracia será respeitada, propiciando o desenvolvimento social pleno.