A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 31/05/2020
Na mitologia grega, Prometeu foi acorrentado a rochedos de sofrimento sob a pena de ter seu fígado devorado diariamente por um abutre. Fora da ficção, o mito assemelha-se à temática da presença dos jovens na discussão política no Brasil hodiernamente. Isso está associado, em parte, às alterações nas dinâmicas e nos locais de realização das manifestações sociais - das ruas para as redes cibernéticas. À luz disso, fatores afetam a frequência da participação dos mais novos nos debates diplomáticos. Dentre eles, a necessidade de planejamento para a inserção no mercado de trabalho em um futuro próximo e a revelação recorrente de escândalos de corrupção envolvendo autoridades públicas.
A priori, cabe mencionar o pensamento do filósofo grego Aristóteles, ao afirmar que o homem é por natureza um animal político. Por conseguinte, o ser humano preza pela sociabilidade e pelo debate a fim de, por meio da razão, alcançar soluções. Dessa forma, a juventude deveria iniciar, desde cedo, seu envolvimento nesse campo. Porém, diante das inúmeras responsabilidades com as quais o jovem deve conviver, o eixo político fica renegado diversas vezes. Nesse sentido, pessoas de pouca idade tornam-se adultos prematuros e escravos do relógio do capitalismo - que coordena o cotidiano de correria. Desse modo, sobrecarregado, o indivíduo troca até o fundamental lazer corriqueiro pela obrigatoriedade do preenchimento mental com preocupações formais.
Por outro lado, o desinteresse também acarreta a diminuição do número de pessoas desta faixa etária empenhadas com os temas de importância para a sociedade. Sob esse âmbito, as denúncias de fraudes entre os governantes do país revelam a ausência de compromisso com as necessidades da população. Conquanto, ao invés de motivar a participação política, essa realidade estimula ainda mais um afastamento do jovem em relação a ela, ao transportá-la para os últimos lugares da lista de maiores preocupações nesse momento da vida.
Logo, é mister que o Ministério da Economia se una ao MEC com a finalidade de lançar programas de profissionalização e disponibilizar a garantia de vagas no mercado de trabalho. Com isso, proporcionar-se-ia mais tranquilidade ao agitado mundo juvenil e, consequentemente, aumentar-se-ia o nível de envolvimento político. Outrossim, cabe ao Ministério da Justiça lançar projetos anticorrupção e elaborar uma reforma política, atentando às maiores feridas e mazelas, em prol de cicatrizar permanentemente o fígado populacional – o qual sofre por conta das falhas do sistema governamental nacional. Enfim, apenas ao deter o abutre da falta de ética – dos políticos - e de tempo – do povo -, possibilitar-se-á a quebra das correntes que alienam o corpo - da massa popular - aos rochedos - da omissão - diante da perspectiva da baixa participação nas decisões.