A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 28/05/2020

A cantora e compositora americana Taylor Swift alcançou à fama muito jovem, durante sua carreira uma das principais críticas ao seu trabalho foi o fato de não se posicionar politicamente, alegando em uma entrevista em 2012 que ninguém estava interessado em saber a opinião política de uma garota de 22 anos. Porém, recentemente em um documentário produzido pela Netflix, “Miss Americana”, Swift relata a descoberta da sua identidade política e a força da sua voz. Tal experiência pode ser aplicada à rotina de jovens brasileiros, que possuem sua opinião política rebaixada e enfrentam caminhos sombrios até a descoberta do seu papel como jovem em uma democracia.

No passado, a principal característica de uma sociedade desenvolvida era o costume de discutir política em praças públicas, chamadas de Ágoras, como ocorria na Grécia. Naquela época, apenas homens poderiam exercer suas funções sociais políticas, a ação era bem vista, aqueles que não a praticavam eram discriminados. Esse costume por muitos anos não foi desenvolvido no Brasil, já que faz parte da cultura espalhar o discurso que não se deve discutir política. Tal tabu atinge principalmente aos jovens, os principais indivíduos a sofrerem os efeitos de uma má-gestão, como a violência e falta de acesso à uma boa educação, que além de não possuírem respeito em debates relacionados ao governo, são esquecidos e ignorados por candidatos a cargos públicos ao não serem alvos de propostas durante a batalha por votos no período pré-eleitoral, apesar de representarem 33% do eleitorado. Além disso, há o baixo índice de educação relacionada ao ato de votar.

O Japão, país referência em questões educacionais, além de lecionar as matérias básicas, oferece também discussões sobre políticas nacionais e simulações de eleições em suas escolas. Diferente do Brasil, onde, com o pretexto do Estado ser leigo, professores são proibidos de discutir assuntos como esse na escola, local principal de aprendizagem e formação de caráter da federação, deixando aos adolescentes desamparados em questões de desenvolver seu senso crítico às questões do voto.

Além de incentivos vindos de vozes tão influentes quanto a de Taylor Swift, é necessário a capacitação de professores para tratarem o assunto com imparcialidade nas salas de aula, orientando e incentivando aos adolescentes se interessarem por política. Junto a isso, o Poder Legislativo deve promover uma reforma na lei eleitoral, que determine que pelo menos 10% do eleitorado deve ser composto por parlamentares com idade entre 18 a 28 anos, um aumento considerável levando em consideração que atualmente pessoas nessa idade ocupem menos de 1% das candidaturas registradas pelo Tribunal superior eleitoral (TSE). Apenas assim, com maior educação, valorização e representação, jovens brasileiros voltarão a participar em maior escala e vigor da democracia atual.