A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 28/05/2020
A obra “A liberdade guiando o povo”, do pintor romântico Eugène Delacroix, representa um marco da civilização ocidental. Nela, estão representados os levantes populares a favor dos ideários republicanos, contra o restabelecimento do absolutismo do Antigo Regime, destituindo o rei Carlos X. Analogamente, contrariando os ideais expostos, percebe-se uma corrosão da democracia, por conta das crescentes manifestações de natureza antidemocrática, colocando em risco o futuro da participação política do jovem no Brasil. Desta forma, faz-se premente a análise das causas de tais manifestações.
A princípio, com a invenção da imprensa, empreendida por Gutenberg no Renascimento Cultural, pensou-se que os tempos de tirania e de autocracia estavam contados. Contudo, o que observou-se foi a apropriação das mídias digitais e sociais, por grupos radicais, na proliferação de notícias falsas e difamações, com o fito de propagar o ódio e comprometer adversários políticos. Foi, por exemplo, o que ocorreu nas últimas eleições parlamentares da Alemanha, onde o partido de ultradireita “AfD” cresceu substancialmente, segundo o jornal “The Guardian”.
Em adição, embora, na contemporaneidade, tenha um excesso de informações nas redes, disponíveis à população, não há uma formação política crítica do jovem brasileiro médio, expondo-o ao autoritarismo cativante dos governantes. Tal conjuntura é reflexo de uma “educação bancária”, conceito introduzido pelo filósofo e educador Paulo Freire, em que o ensino se faz sob um viés conteudista, não fomentando o senso crítico do público jovem. A educação não crítica pode levar a ascensão de governos autoritários, tal como ocorreu na Alemanha nazista, em que, embora possuísse um número grande de mestres e doutores segundo o jornal “El País”, sucumbiu ao regime de Hitler.
Faz-se, desta forma, mister a adoção de medidas exequíveis na resolução de tal problemática. Assim, o governo, representado pelo Ministério da Educação, com o fito de fomentar um ensino crítico dos jovens, deve empreender uma campanha nacional de reestruturação do currículo do Ensino Médio. Tal empreendimento será realizado por meio da inclusão, no currículo escolar, de disciplinas de política e cidadania, enfatizando a importância da participação dos jovens na democracia. Estas disciplinas serão elaboradas por cientistas políticos e sociais sob um viés crítico. Apenas desta forma, será possível o total funcionamento da política a favor do povo.