A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 29/05/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a participação política do jovem no Brasil é cada vez menor, tornando-se uma dificuldade para a concretização dos Planos de More. Esse cenário antagônico é fruto da insatisfação e descrença dos jovens devido à corrupção presente no país e também do individualismo presente na sociedade. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de um pleno funcionamento social.

Inicialmente, é necessário enfatizar que as causas da pouca participação do jovem na política brasileira derivam da insatisfação e descrença nos políticos do país. Segundo Thomas More, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da sociedade, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades. os âmbitos da saúde, da educação, do transporte e da segurança pública ficam em segundo plano e muitos jovens se desanimam, já que as promessas feitas no período eleitoral foram ilusões criadas pelos políticos. Como consequência a esse fato, isso gera à população o desinteresse e a falta de esperança em um país justo, fazendo com que os jovens não participem de assuntos ligados à política e nem de movimentos sociais - que são imprescindíveis para as melhorias do país. Desse modo, faz-se necessário a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Em segundo plano, é importante salientar que o individualismo presente na sociedade é um fator que corrobora para a falta de participação política dos jovens da sociedade. De acordo com Zygmunt Bauman, o indivíduo da Modernidade Líquida é individualista e autocentrado, logo, não se importa com o que ocorre ao seu redor. Partindo desse pressuposto, as pessoas que não são atingidas pela falta de atuação governamental não se interessam pelo bem social, apenas pelo bem próprio. E, muitas vezes, quando estes decidem entrar para a política no Brasil, utilizando ainda do individualismo, entram para beneficiar a si próprio e a sua família, dando continuidade à corrupção. Dessa forma, é possível afirmar que o individualismo contribui diretamente para a perpetuação desse problema.

Diante dessa realidade, cabe ao Ministério da Educação criar matérias escolares que discutam sobre ética e direitos civis, além de promover debates e palestras sobre esses temas. Essa ação será realizada no meio físico e cibernético, com antropólogos e doutores em direito, os quais irão debater sobre os direitos assegurados pela Constituição e a função social do indivíduo. Tal conduta terá como intuito promover a criticidade e o conhecimento da população acerca de seus direitos e deveres, e garantir, em médio e longo prazo, a Utopia de More.