A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 30/05/2020

Na década de 80, o Brasil viu uma juventude lutar por maior participação política. Esse movimento ficou conhecido como “Diretas Já” e tornou-se um marco da ainda recente democracia. Contudo, esse interesse em participar ativamente da política se mostra diferente hoje na juventude brasileira. Uma vez, que o descrédito em relações aos políticos e a falsa ilusão de participação, causada pelas redes sociais, são fatores que agravam essa apatia.

Inicialmente cabe destacar, que após inúmeros casos de corrupção e crises políticas vividas em diversos momentos da história brasileira, apontou-se uma falência do modelo político tradicional e uma falta de credibilidade ao poder público, acarretando um grande desinteresse dos jovens cidadãos em participar ativamente da política. Visto que, segundo dados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), há uma diminuição da quantidade de adolescentes, entre 16 e 18 anos, que votam sem estarem na faixa da obrigatoriedade. Tal fato reafirma essa falta de engajamento dos jovens, desmotivados pelo histórico da política brasileira, ameaçando a solidificação da democracia.

Além disso, vale ressaltar que a participação política não se restringe somente ao voto, na sociedade contemporânea muitos jovens manifestam suas opiniões políticas e descontentamento através das redes sociais. No entanto, questiona-se até que ponto essas ações repercutem fora do âmbito digital, pois nas palavras do sociólogo Manuel Castells não basta apenas criticar na internet, é necessário que o movimento seja visível, logo manifestações nas redes sociais não causariam o mesmo impacto histórico-social que o movimento Diretas já teve na década de 80, por exemplo.

É evidente, portanto, que para que se construa uma democracia mais sólida, é necessário que o governo, por meio do Ministério da Educação incentive a participação política dos jovens mostrando, por meio de aulas de história e sociologia, um histórico da participação da juventude em grandes eventos nacionais, bem como, a importância do voto para democracia. Associado a isso, colocar todo conhecimento em prática com a formação de representantes e grêmios estudantis, fomentando o debate fora das redes sociais. Só assim veremos jovens interessados e engajados como os da década de 80.