A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 30/05/2020
Aristóteles pensava o homem como um animal político, esse pensamento é decorrente da sociedade a qual ele é contemporâneo, pois a participação política era fundamental para a construção do cidadão da Grécia Antiga. Ser político era participar das decisões na pólis debatidas entre todos os cidadãos na Ágora. Entretanto, na sociedade brasileira contemporânea o fazer política é restrito à possibilidade de eleger e ser eleito. Dessa maneira, é evidente a necessidade de ampliação de conhecimentos sobre política entre os cidadãos da sociedade brasileira.
Em primeira análise, tem-se que a percepção sobre fazer política muitas vezes é restrita ao votar ou ser votado. Essa concepção restringe a visão de cidadania e a possibilidade de atuação social em busca de melhorias. Segundo pesquisa realizada pelo Data Popular 70% dos jovens entre 16 e 33 anos acreditam que seu poder de transformação social consiste no voto. Portanto, é perceptível que a concepção de cidadania e a atuação do jovem na política nacional é restrita pelos conhecimentos limitados ao campo eleitoral. Então é importante e imprescindível a ampliação desse saber para que a participação política do jovem seja ampliada a diferentes setores e represente mudanças nas estruturas da sociedade brasileira.
Ademais, para que mudanças ocorram é preciso resgatar a percepção do fazer política como uma atitude transformadora. Tal como no movimento dos caras pintadas, ocorrido em 1992, no qual a mobilização dos jovens brasileiros contribuiu para o impeachment do presidente Collor, ser político consistiu em modificar a sociedade. É fundamental que o jovem brasileiro entenda que as mudanças não estão restritas ao momento de eleição, mas que podem acontecer a partir da atuação desse em movimentos sociais que busquem dialogar com esferas do governo, da sua participação em ONGs e, também, da pesquisa e do acompanhamento do exercício profissional do político eleito para um cargo público. Formar uma juventude atenda e vigilante aos seus direitos e deveres é vital para fomentar a participação política em diferentes esferas sociais.
Logo, para que o fazer política seja modificado na sociedade brasileira é preciso que a população tenha uma formação diferenciada. Assim, o Ministério da Educação deve recorrer a alterações na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) a fim de inserir no currículo escolar aulas de filosofia e sociologia a partir do ensino fundamental, visto que são fundamentais para formar cidadãos críticos e cientes de seus direitos e deveres sociais. Além disso, essas aulas podem trabalhar a partir de metodologias ativas como a escolha e votação de líderes de sala e grêmios estudantis de modo a promover o debate no ambiente escolar bem como a percepção do poder de mudança do cidadão político.