A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 30/05/2020
Desinteresse e novas formas de participação
Criado pelos povos gregos na Antiguidade clássica, o termo política deixou um legado histórico e cultural para as sociedades do ocidente. Um dos fatores marcantes da política grega era a participação ativa dos cidadãos nas decisões referentes à pólis. No entanto, tal característica não se aplica na atualidade, sobretudo em relação aos jovens. Esse afastamento está ligado diretamente à dois fatores: A falta de perspectiva em relação à política no país e pela revolução digital na qual essa parcela da população já nasceu inserida.
Em primeira análise, é notável que a relação do brasileiro com os políticos que os representam não é baseada sobre o prisma da confiança. A história recente do país mostra que a corrupção nos diversos níveis do poder legislativo descredibilizou essa classe. E em meio a tantos escândalos e falta de credibilidade dos governantes com a população, uma parcela da sociedade foi formada com o termo política visto de forma pejorativa, e como um assunto que não gera interesse. Essa falta de perspectiva dos jovens reflete o estado de desanimo de uma nação, em que dias melhores parecem inimagináveis.
Além disso, é necessária uma reflexão sobre a forma nas quais os jovens do século XXI atuam para cobrar direitos e manifestar suas insatisfações. Raras exceções como as manifestações de 2013 contra o aumento das passagens de ônibus, e de 2019 contra o contingenciamento de gastos nas universidades públicas, a parcela jovem atua sobretudo na internet e nas redes sociais. Tal característica nem sempre é vista de forma positiva, mas a revolução digital caminha lado a lado com essa faixa etária, que do seu modo atua politicamente ainda que essa atuação não seja a mais eficaz.
Ante o exposto, o jovem brasileiro contemporâneo foi formado em uma sociedade marcada pelos estigmas em relação à uma política corruptível e por novas formas de se manifestar, advindas da revolução tecnológica. Para aumentar a participação da juventude brasileira na política, cabe ao Ministério da Cidadania em parceria com o Ministério da Educação, implementar fóruns de discussão sobre atualidades e temas de interesse da sociedade como componente curricular obrigatório do ensino médio, através de reforma no plano nacional de ensino, dessa forma a pluralidade de ideias será reforçada nos debates e a participação política tenderá a gerar maior interesse nos jovens.