A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 31/05/2020

“Menina, amanhã de manhã, quando a gente acordar quero te dizer que a felicidade vai desabar sobre os homens” canta Tom Zé. Canção que tem como metáfora a imposição na ditadura militar de a sociedade brasileira se mostrar feliz ou ser duramente repreendida. Hoje a música é ouvida pelo jovens em seu sentido literal, com otimismo, sem enxergar seu real alerta. Há quem diga que a juventude atual não se interessa por política, mas são apenas jeitos diferentes de se enxergar a música de acordo com o contexto histórico que se está inserido. O jovem participa da política no Brasil contemporâneo de forma diferente do passado e divididos de duas formas: desiludidos com os políticos ou participando de discussões virtualmente.

A primeira categoria abrange jovens que olham de maneira rápida para a história política do país e não vê diferenças em nenhuma época. Consideram todos os políticos e partidos corruptos e inativos. Esse grupo não participa de discussões e não se interessa pelo voto. São profundamente pessimistas quanto a mudanças e, em geral, têm conhecimento superficial sobre ciência política e sociologia.

A segunda categoria possui os jovens engajados politicamente, grande parte possui suas próprias correntes ideológicas bem identificadas. Então, participam de discussões, apresentam suas indagações e indignações e são muito atuantes no meio virtual e não no físico. É comum a crítica a esse tipo de movimento por, supostamente, não realizar ações de fato, de ser apenas uma inflamação social teórica e não concretizar nenhuma ação de fato. Esse argumento desconsidera a força das redes sociais na atualidade. A força da participação virtual pode ser exemplificada pela fabricação de milhares de contas falsas que alguns políticos fazem para apoio a si mesmos. Esse meio tem tanta influência na sociedade que fabricam uma rede de apoio para o cenário virtual.

Logo, é fundamental que o Estado, por meio do envio de recursos ao Ministério da Educação, promova a adição de ciência política ao currículo escolar, com o objetivo de igualar e instituir boa base de conhecimento aos jovens. É imprescindível ainda que as escolas, por meio de palestras, debatam acerca de maneiras de diálogo e como aplicar a comunicação não-violenta, para que haja verdadeira troca no debate. Assim, os desiludidos podem sair da superficialidade e entenderem a importância da política, e os engajados podem aprofundar os debates e futuras ações. Assim, se assegura que todos tenham a mesma interpretação da atenção política as opressões: “Menina, ela mete medo. Menina, ela fecha a roda. Menina, olhe pra frente.”