A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 31/05/2020
O final do século XX representou um período de grande atuação da juventude brasileira, a qual foi protagonista de dois importantes movimentos políticos: “Diretas Já” e os “Caras pintadas”. Tais episódios denotam a relevância do engajamento político dos jovens para a construção de uma sociedade proativa. No entanto, atualmente, nota-se uma redução da participação juvenil nas temáticas públicas, devido ao advento da internet e a omissão do Estado.
Primeiramente, faz-se necessário ressaltar que as informações são essenciais para um envolvimento ativo na política, e as novas tecnologias facilitaram a aquisição e a disseminação de saberes. Por consequência, a internet tem sido o espaço recorrido pelos jovens para se posicionar e debater acerca da política nacional. Contudo, apesar do ativismo virtual ter formado uma juventude com mais voz, seu reflexo é pouco expressivo no mundo físico, já que nas eleições de 2018 houve a menor participação de indivíduos entre 16 e 17 anos desde 2002, componentes do voto facultativo, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ademais, outro desafio é a negligência estatal. Verifica-se que o jovem só é incentivado a votar em época de eleições, criando uma falsa impressão de que o exercício da cidadania se restringe a esse momento. Portanto, há carência de projetos mais efetivos e abrangentes, sobretudo atribuídos ao Ministério da Educação, que possibilitem a população púbere uma educação política, contrariando o pensamento de Paulo Freire “Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”, visto que o sujeito não tem condições de exigir a implementação de políticas públicas adequadas em favor de sua geração e das futuras.
Desse modo, embora seja fundamental, o engajamento político do jovem brasileiro não tem sido eficaz e nem valorizado. Nesse sentido, é preciso fomentar o debate e tirá-lo da esfera virtual. Assim, cabe ao Governo Federal e Estadual, em parceria com os meios midiáticos, promover de modo mais efetivo programas como o Jovem Senador, Parlamento Juvenil Brasileiro e Câmara Jovem, que visam inteirar o jovem sobre os processos e os projetos políticos. Além disso, o Ministério da Educação deve, por meio das escolas, desenvolver palestras com filósofos, sociólogos e autoridades políticas locais, com a finalidade de instruir e incentivar não só os alunos, como também a comunidade, a serem mais ativos politicamente. Posto isso, espera-se obter uma juventude crítica, consciente de sua cidadania e capaz de intervir na sociedade por intermédio do voto e de outras ações.