A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 30/05/2020

Cartas Chilenas, do poeta brasileiro Tomás Antônio Gonzaga, são um conjunto de 13 fragmentos de cunho satírico contra a política de Vila Rica que circulava, no intuito de que todos os cidadãos daquele local ficassem cientes do que estava ocorrendo, pouco antes da Inconfidência Mineira. Saindo do contexto literário, é possível notar que promover uma denúncia, assim como achar jovens ativamente participativos, na política brasileira, têm se tornado bastante raro no atual cenário. Com base nisso, é importante discutir os motivos, bem como as implicâncias que isso têm para o Brasil.

É fundamental compreender que, para os jovens, um cenário de corrupção agregado a uma política baseada na instabilidade desde o Período Colonial, acarreta em uma descrença sobre uma possível mudança. Isso porque, para a maioria, de tanto serem noticiados com desvios de verbas e ações ilícitas por seus governantes, preferem optar por manifestações nas redes sociais, o chamado “manifestante de sofá” que, acredita ser mais eficaz não “perder” seu tempo, nas ruas da cidade, lutando por melhorias e pelos seus direitos básicos. De acordo com jornalista Gilberto Dimenstein, os jovens, da atualidade, vêm se tornando uma espécie de “cidadão de papel” que, deixa seus direitos na mãos de seus líderes, sem procurar saber o que está acontecendo, contrariando, o que pregava, Aristóteles, na Grécia, quando dizia que o homem é um animal político.

Admite-se, consequentemente, que a passividade dos brasileiros perante às questões comunitárias do país, torna-se um agravante à medida que deixam de cobrar, de seus líderes, melhorias para todas as camadas da sociedade. Evidentemente, manifestações como a “Direta já”, pelo voto direto, e “Caras Pintadas”, pelo impeachment de Fernando Collor, são exemplos de atitudes ativas da população pela reivindicação de seus direitos quanto cidadãos, assim como para a manutenção do Poder Executivo do país, evitando um ciclo de corrupção. De acordo com dados fornecidos pela USP, mais de 70% dos jovens não acreditam em uma ato eficaz para se cobrar do governo, apenas veem nas redes sociais uma possibilidade de acompanhar, de forma passiva, sem ao menos irem às ruas.

Nota-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para a resolução do impasse. A fim de atenuar a problemática, o Poder Judiciário deve aplicar às leis, já existentes, de forma imparcial e rígida para aqueles, do Poder Executivo, que, agirem de má fé contra às normas públicas, evitando assim que o dinheiro destinado a manutenção dos estados seja extraviado. Dessa forma, os jovens, que deveriam está participando ativamente das escolhas do seu país, irão ver uma possibilidade de acreditar na justiça e, consequentemente, no seu poder de voto e manifestação pública, revertendo todo o ciclo que permeia, contemporaneamente, no Brasil. Afinal, melhor que as Cartas Chilenas, somente às ruas.