A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 31/05/2020

O movimento pela democracia “Diretas Já”, ocorrido durante a Ditadura Militar, mobilizou milhares de jovens em prol da volta das eleições diretas para o cargo de presidente entre os anos de 1983 e 1984. Entretanto, a participação política dos jovens no Brasil se mostra ameaçada sobretudo devido às crises de representatividade política, além da falta de engajamento e atuação nessa área por parte dessa camada da sociedade.

Nesse contexto é válido enfatizar as manifestações populares ocorridas em junho de 2013 através do “Movimento Passe Livre”, que reafirmaram a importância da participação dos jovens para que mudanças efetivas possam ocorrer em momentos de abalos políticos, econômicos ou sociais.

Assim sendo, é interessante ressaltar a teoria do sociólogo Zigmunt Bauman que afirma que os seres humanos estão vivenciando uma era pós-moderna, na qual diversos aspectos da sociedade podem ser considerados inconstantes quando comparados com momentos anteriores da história. Esse fenômeno pode acarretar diversas problemáticas, como a falta de identificação com representantes políticos por parte dos eleitores, tendo em vista as crises ideológicas causadas por essa sociedade, denominada pelo autor, de líquida.

Isto posto, é fundamental salientar que a falta de engajamento político dos jovens pode ser explicada pelo termo criado pelo historiador canadense Macpherson, no qual, os indivíduos que não se vêem como parte de um todo social, trata-se do individualismo possessivo. Dessa maneira, os cidadãos não possuem consciência do impacto de seus atos na sociedade, acarretando considerável diminuição na participação e posicionamento político no Brasil contemporâneo.

Em virtude disso e com o advento da internet, uma atividade que cresce entre os jovens é o “ativismo de sofá”, no qual, por meio de uma rede online esses indivíduos se posicionam politicamente e realizam alguns movimentos sociais não possuindo, no entanto, resultados efetivos.

Nessa conjuntura, é primordial que o Ministério da Educação incentive a participação política dos jovens por meio de projetos que ensinem teoria política e sua importância, nas instituições de ensino, local de maior concentração de jovens. Ademais, frentes parlamentares, ou seja, associações entre partidos que lutam por uma causa específica, que sejam voltadas à política devem elaborar propostas que apresentadas na câmara, mostrem a importância de haver uma educação política para as demais faixas etárias da sociedade. Desse modo, os cidadãos terão maior consciência de que ser politicamente ativo é um exercício de cidadania, as crises de representatividade política, consequentemente, irão diminuir, amenizando assim a problemática estabelecida.