A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 31/05/2020
Nas décadas de 1960 e 1970, o movimento estudantil universitário brasileiro se transformou em um importante foco de mobilização social. Sua força adveio da capacidade de mobilizar expressivos contingentes de estudantes para atuarem na vida política do país. Entretanto, tal comportamento não se encontra tão presente no hodierno cenário nacional, posto que a participação por parte dos jovens tornou-se diminuta. Isso ocorre ora devido à falta de pensamento crítico, ora em decorrência do sentimento de imutabilidade da desordem política por meio de ações individuais.
A priori, é imperioso relacionar a falta de pensamento crítico com o conceito de “Mortificação do Eu”, de Erving Goffman. Segundo o sociólogo canadense, por influência de fatores do sistema vigente, o indivíduo perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva. Nessa lógica, ao não desenvolver a idiossincrasia, a pessoa não se interessa pela autorreflexão perante os problemas presentes no local em que está inserida e, com isso, sem a devida ação cognitiva desenvolvida para esse âmbito político, tal panorama de injustiça social e corrupção se mantêm.
A posteriori, é imperativo concatenar a inação dos cidadãos pelo sentimento de impotência com a perspectiva de Oscar Wilde. Conforme o escritor irlandês, a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou de uma nação. Sob esse viés, a não concordância com atos antidemocráticos e sua posterior reivindicação por mudanças, são fundamentais para manter um sistema político sobre controle da maioria, em constante evolução e uma maior justiça social. Nessa perspectiva, o acuamento ou abstenção participativa acarretam a manutenção de uma estrutura de governo desfavorável, em que a minoria comanda a grande massa.
Depreende-se, portanto, a essencialidade de maiores incentivos à participação de jovens na política. Necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União (TCU) direcione capital que, por intermédio do Ministério da Educação, seja revertido na implementação de disciplinas focadas na ministração de aulas na área da sociologia política em escolas públicas e exigir a obrigatoriedade em escolas privadas. Isso deve ser feito por meio da contratação de sociólogos, que induzam debates entre os estudantes a respeito da imprescindibilidade de uma assídua atuação política, além de relembrar,por meio de documentários, importantes movimentos estudantis que ocasionaram mudanças na estrutura administrativa do país. Com a finalidade de formar o jovem com um conhecimento desenvolvido acerca do contexto social a qual faz parte, sua importância como cidadão e, em suma, com um pensamento crítico aguçado e livre da massificação. Dessa forma, os jovens brasileiros voltarão a se unir em prol da melhoria do país, como aconteceu com os movimento estudantis da década de 60 e 70.