A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 01/06/2020
A falta de interesse do jovem pela política é um problema muito presente no Brasil. Isso deve ser enfrentado, uma vez que esse significa exercer a cidadania preconizada pelo Estado Democrático de Direito. No entanto, percebe-se que há uma nítida desvalorização dessa questão. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: o incentivo desta por parte da escola e família, e, também pelo governo. É importante pontuar, de início, que a escola e a família têm papel fundamental na educação transformadora do indivíduo. No entanto, como o acesso à escola de qualidade muitas vezes não ocorre e por conseguinte o estudante não é incentivado e nem aprende a buscar e compreender seus direitos constitucionais. Também, nas conversas familiares frequentemente observa-se o descontentamento e a desilusão por parte dos pais pelas ações dos políticos, gerando, portanto, uma quebra de expectativa e de interesse dos filhos. Tal situação faz com que o jovem repudie a política e adquira a ideia de que nada pode ser feito para melhorar. Prova disso são os dados do TSE-Tribunal Superior Eleitoral afirmarem que em 2018 o número de eleitores em geral cresce mas o número de jovens aptos a votar cai em 14% nos últimos 4 anos, tornando notório a visão de irrelevância do voto para a juventude e deixando ela para exercê-lo somente em idade de obrigatoriedade.
É fundamental pontuar, ainda, que ações do governo também servem para incentivar a participação juvenil na própria política. A publicidade eleitoral que divulga as propostas e projetos só ocorre em épocas de eleição, contudo, ela deveria ocorrer em outros períodos mostrando ao jovem como ele pode fiscalizar, opinar, criticar ou sugestionar ações públicas através de plebiscitos e até mesmo por meio do envio de mails aos partidários. Essa ação deveria ser incentivada e valorizada, uma vez que na Ditadura dos anos 64 a 85 o país restringia a participação direta do povo e em momentos anteriores, até a participação da mulher na sociedade era irrelevante. Assim, o conhecimento das ações que podem ser tomadas para uma efetiva mudança incentivariam e tornariam o jovem pertencente a sociedade frente a política.
Dessa forma, é possível perceber que ações devem ser tomadas para solucionar esse impasse. É preciso que o MEC institua no currículo obrigatório da escola básica tópicos de Política e Direito para que os estudantes compreendam por meio de debates e estudos de caso o funcionamento da sociedade e obtenham conhecimento claro acerca de seus direitos participativos e contributivos. Além disso, é preciso que haja uma divulgação simples e inclusiva, através de carros de som das prefeituras, anunciando palestras e reuniões públicas para que o indivíduo possa participar das ações de governo. Assim, será possível que a participação do jovem na política do Brasil seja efetiva.