A participação política do jovem no Brasil contemporâneo

Enviada em 31/05/2020

Ao filosofar a respeito da natureza humana, Aristóteles concluiu que “o homem é um animal político”, pois observou que os seres humanos precisam cooperar para atingir determinados fins. Entretanto, a baixa participação política do jovem brasileiro contemporâneo rompe essa harmonia, haja vista que grande parte dos jovens encontram-se desiludidos em relação à política nacional, devido, principalmente, pelo fato de não conhecerem sua real importância no cenário político atual. Nesse sentido, convém analisar as principais consequências de tal postura negligente para a sociedade.

Em primeiro lugar, cabe pontuar que, segundo o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, “o poder emana da vontade geral do povo”, ou seja, o conjunto de ideias comuns aos diversos ramos da sociedade é aquilo que deve reger o poder de uma nação. No entanto, se o jovem não participa da política, não há representação de seus interesses na “vontade geral”. Logo, caso isso ocorra, criar-se-á a sensação de que o jovem não possui nenhuma relevância no cenário político. No entanto, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, cerca de um terço dos eleitores brasileiros são jovens com menos de 33 anos de idade. Dessa forma, algo deve ser feito a fim de que a camada juvenil reconheça seu importantíssimo papel na tomada de decisões políticas.

Outrossim, destacam-se as ideias impostas, desde a infância, como um impulsionador do problema. De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotado de exterioridade, generalidade e coercitividade, isto é, os indivíduos tendem a adotar comportamentos semelhantes ao ambiente que os cerca. À vista disso, quando a sociedade educa as crianças por meio de afirmações de que a política é uma coisa deplorável, onde só há espaço para corrupção e desonestidade contra o povo, é natural que estes jovens adotem as mesmas ideias, o que cria aversão ao mundo político. Nesse sentido, faz-se necessário alterar este senso comum.

Torna-se evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de medidas que visem à construção de um mundo melhor. Dessarte, o Ministério da Educação deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por sociólogos que discutam a respeito da importância da participação do jovem na política. Além disso, visando estimular o pensamento crítico dos estudantes, deve-se criar uma nova disciplina curricular denominada “Educação Política”,  na qual diversos trabalhos serão propostos, tal como a criação de partidos fictícios em sala de aula, com a realização de debates e posterior eleição entre alunos de toda a escola, com o intuito de simular um pleito eleitoral. Consequentemente, haverá, em médio e longo prazo, um expressivo aumento na participação política do jovem brasileiro.