A participação política do jovem no Brasil contemporâneo
Enviada em 01/06/2020
Em 1992, milhares de estudantes brasileiros foram às ruas manifestar contra a corrupção no país e reivindicar o impeachment do presidente Fernando Collor. Esse movimento ficou conhecido como “Os caras-pintadas” e representou a força dos jovens na política tupiniquim. Todavia, tal marco histórico de protesto se distancia da conjuntura atual do Brasil, uma vez que a participação juvenil no âmbito político foi reduzida, seja pela inércia desse grupo etário, seja pelo despreparo das instituições educacionais. Dessa forma, hão de ser analisados tais fatores, a fim de que se possa atenuá-los de maneira efetiva.
A priori, é imperioso destacar que a letargia da juventude brasileira é um impulsionador da problemática em questão. De acordo com John Kennedy “O conformismo é carcereiro da liberdade e inimigo do crescimento.” Torna-se, então, realidade na nação canarinho aquilo que fora apregoado pelo ex presidente dos Estados Unidos, visto que o número de adolescentes interessados em adotar o voto facultativo reduziu em 26,9%, à medida que essa população cresceu em 2,4%, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral de 2018. Ademais, um levantamento realizado pelo jornal “O Município” constatou uma diminuição na quantidade de jovens que vão às ruas protestar por melhorias no desenvolvimento do futuro coletivo desde o ano de 2013, quando estudantes manifestaram contra o aumento das tarifas do transporte público.
Outrossim, é substancial ressaltar que a míngua construção pedagógica da juventude brasileira, no que se refere à política, sucede, sobretudo, devido à ineficiência do modelo tradicional escolar. Analogamente à teoria da tábula rasa de John Locke, filósofo inglês, o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências, posto que as escolas têm um papel expressivo na formação cognitiva da sociedade. Entretanto, a maioria das instituições do Brasil não contribuem para a formação crítica e consciente das responsabilidades políticas do jovem no cenário hodierno, o que vai de encontro com a Constituição Federal de 1988, que aborda a educação como um direito social que garante o pleno desenvolvimento do indivíduo e seu preparo para o exercício da cidadania.
Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para liquidar esse impasse. Para tanto, compete ao Governo Federal - instância máxima do Poder Executivo -, em consonância com o Ministério da Educação, investir na educação política da população, majoritariamente do jovens, por meio da implementação de matéria obrigatória de caráter político nas escolas, bem como promover eventos e debates acerca do tema, a fim de ampliar o intelecto e a participação política da juventude no país verde e amarelo. Quiçá, assim, lograr-se-á uma perspectiva em que os jovens voltarão a participar ativamente da política brasileira, como ocorrido há vinte e oito anos na campanha “Fora Collor”.